
Hábito comum no cotidiano da maioria das pessoas, a escovação dental, atrelada ao controle de consumo de alimentos ricos em açúcar, como chicletes e doces, são as principais formas de combater o desenvolvimento de doenças bucais, que já resultaram, de janeiro a julho deste ano, 41.360 extrações em unidades públicas no estado, segundo dados disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE).
Conforme o levantamento, que tem como base de dados o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), esse quantitativo registrado nos primeiros sete meses de 2026 representa um aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 37.238 extrações.
Segundo a dentista e gerente de Promoção e Educação em Atenção Primária à Saúde da SES-PE, Rayssa Lima, esse número de extrações está atrelado principalmente à pouca oferta gratuita de especialidades odontológicas em anos anteriores, algo que reflete até os dias atuais.
“De maneira geral, a gente entende que esse quantitativo vem se mantendo nos últimos anos, mas seria interessante que esses números baixassem. Isso acontece porque, por muito tempo, o Brasil teve uma demanda reprimida em relação à odontologia, fazendo com que ficasse conhecido como ‘o país dos desdentados’. Com isso, o acesso a certas especialidades era bastante escasso, algo que ainda reflete nos dias atuais”, pontua.
Além disso, Rayssa Lima afirma que uma maior conscientização da população sobre a importância de cuidados bucais, e consequentemente uma maior procura por unidades de tratamento municipais, fez com que o número de exodontia (extração) aumentasse.
“Esse aumento não reflete simplesmente em uma questão da escovação individual das pessoas, pois a higiene bucal depende tanto do ponto de vista de acesso aos serviços de odontologia, como uma série de condicionantes, como acesso a alimentos de qualidade, kits de higiene bucal, entre outros cuidados. A cárie, por exemplo, é uma doença relacionada a vários fatores como tempo, consumo de alimentos, entre outros condicionantes”, explicou.
Dados dos anos anteriores
Se comparar todo o período entre 2024 e 2025, os dados apontam que houve uma redução no número de extrações. Em 2025, foram contabilizadas 66.714 exodontias, enquanto em 2024 foram notificadas 69.098. Isso representa uma diminuição de 3,5%.
Vale ressaltar que todo o levantamento não contabilizou a retirada de dentes decíduos, popularmente conhecidos como “dentes de leite”, que acontece geralmente a partir dos seis anos de idade e se estende até meados dos 12 anos.
Além disso, os motivos pelas extrações, procedimento considerado pelos dentistas como último recurso para tentar solucionar algum problema bucal, não foram identificados no levantamento. Apesar disso, a maioria dos casos são decorrentes de cárie, trauma dental ou doenças periodontais.
Um dado que preocupou a gerente de Promoção e Educação em Atenção Primária à Saúde da SES-PE foi o quantitativo de extrações de dentes permanentes em crianças de 5 anos e adolescentes de 12 anos, idades mais utilizadas em pesquisas de saúde bucal.
Segundo o levantamento, houve um pequeno aumento de 15 extrações em relação aos primeiros sete meses de 2025 e 2026, que registraram respectivamente 896 e 911 procedimentos dessa natureza. Já no mesmo período de 2024, foram 1080 exodontias.
“Esse quantitativo de procedimentos nos preocupa e traz um questionamento sobre como está o acesso de serviços odontológicos dessas crianças e adolescentes, pois essas idades são ideais para o desenvolvimento de práticas educativas voltadas aos cuidados em saúde bucal”, alertou Rayssa Lima.
Vale destacar que os atendimentos primários de saúde bucal são de responsabilidade direta dos municípios, sendo realizados em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Saúde da Família (USF) ou nos Postos de Saúde.



