Manutenção tem sido constante, mas BR-232 segue perigosa e voltou a ser uma ‘montanha russa’

Por Roberta Soares/JC

A BR-232 voltou a ser uma ‘montanha russa’. Esse é o alerta que o JC faz aos condutores que planejam usar o principal eixo rodoviário de conexão do Recife com todo o interior de Pernambuco, principalmente o Agreste do Estado. Nesta época, quando a Semana Santa e o São João se aproximam, fazendo com que todo o Estado se volte para o interior, o volume de veículos trafegando na direção de cidades como Gravatá, Caruaru e Brejo da Madre de Deus praticamente duplica, exigindo atenção porque a rodovia, infelizmente e mais uma vez, segue perigosa.

É verdade que o trecho duplicado da BR-232 – entre Recife e São Caetano – já esteve muito pior, sendo fácil perceber que está sob manutenção permanente do governo de Pernambuco, que responde pela conservação mesmo sendo federal, num contrato de 30 anos, que termina em 2027, mas o passivo da degradação chegou a um nível em muitos pontos que a manutenção já não resolve. Já ficou tarde demais. É preciso reconstruir.

De fato, não se vê buracos no trecho duplicado. Mas a velha solução do asfalto sobre o concreto se tornou ainda mais perigosa, exatamente porque transforma a rodovia numa verdadeira ‘montanha russa’. Os desníveis no pavimento são perigosos e exigem baixa velocidade dos veículos para evitar sinistros de trânsito. Além de habilidade dos condutores, principalmente.

“O que mais impressiona é que a pior parte da rodovia é exatamente a que está duplicada. E ainda mais as faixas da direita, de baixa velocidade e onde os veículos pesados devem trafegar. Exige muita atenção e, em várias situações, é preciso usar a faixa de mais velocidade, o que pode provocar colisões”, alerta o caminhoneiro Severino Isaac, que saiu da Paraíba e pretendia passar por Salvador (BA) e chegar em São Paulo (SP).

“De todo o meu percurso (mais de 2.500 km), arrisco dizer que o pior trecho é esse duplicado da BR-232 entre Recife e São Caetano. De lá para o Sertão, mesmo sem estar duplicado, é muito melhor”, reforça o caminhoneiro, com 32 anos de estrada.

O pedreiro Josivan Valdeci da Silva, que é motociclista e reside em Gravatá, é outro usuário da BR-232 que faz alertas sobre os riscos da rodovia. “Ela melhorou um pouco em relação às condições no ano passado, mas precisa melhorar mais porque segue perigosa. É preciso mais investimentos e fiscalização  para que os motoristas respeitem as regras”, afirma.

Sem dúvida, a pior parte da BR-232 nos 120 km entre Recife e Caruaru é a que margeia a cidade de Vitória de Santo Antão, na região da Mata Sul e porta de entrada do Agreste pernambucano. De Caruaru a São Caetano, a duplicação é mais nova e, por isso, ainda está menos ruim.

No trecho de Vitória de Santo Antão, o desgaste do pavimento transformou a rodovia nos dois sentidos (Recife-Interior e ao contrário) numa grande colcha de retalhos, instável e perigosa. O problema fica ainda maior quando a BR-232 está molhada e o risco de aquaplanagem é real e alto. Em fevereiro, um condutor teria perdido o controle do veículo exatamente devido a uma aquaplanagem, na altura do Km 114 da BR, quase no limite de Bezerros com Caruaru, provocando um grave sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB).

No sentido Recife-Interior, o trecho compreende uma grande descida, com uma curva na sequência. Das cinco pessoas que estavam no veículo, duas morreram e outras três ficaram feridas. A principal suspeita da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi a aquaplanagem devido ao acúmulo de água na rodovia – um problema antigo da BR-232 quando chove.

Outra área completamente degradada e que também acende o alerta sobre o nível de degradação a que chegou o projeto de duplicação da BR-232 até o Agreste é a subida da Serra das Russas. Em 2025, quando o JC também fez reportagem sobre a rota até Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, o trecho estava com o pavimento bem comprometido. Este ano, a recuperação foi feita, mas em condições não ideais – o velho tapa-buraco, exatamente o que transforma a rodovia em uma ‘montanha russa’.

Vencida a BR-232, a atenção dos condutores deve ser ainda mais redobrada quando pegar a BR-104, no trecho da rodovia que liga Caruaru a Toritama. Em partes, a BR também está menos ruim do que em 2025 – quando havia buracos por toda parte -, mas segue ruim, perigosa. De Caruaru até a bifurcação com a PE-145, na entrada para Brejo da Madre de Deus, uma conservação vem sendo feita, mas ainda sem a sinalização horizontal. A vertical já não existe faz tempo.

A melhor parte para conduzir – e a mais bonita também, vale ressaltar – é o trecho da PE-145, a rodovia que sai da BR-104 e chega a Brejo da Madre de Deus e que começou a ser refeita ainda na gestão estadual do PSB, teve os trabalhos paralisados, e terminou sendo executada na prática já no governo de Raquel Lyra. Ainda está nova e bem sinalizada, até porque as obras são de 2023/2024, mas é importante alertar: é mão simples, sinuosa e já tem pequenos buracos.