Márcia Conrado vai a Portugal. Faeca assume?

Por Júnior Campos

A prefeita Márcia Conrado (PT), de Serra Talhada, tem viagem marcada para o próximo dia 6 de junho rumo a Portugal, onde participa do seminário internacional Reboot, em Oeiras. O evento é organizado por Juarez Guedes, publicitário que coordenou a comunicação de sua campanha de reeleição, e reunirá gestores, comunicadores e especialistas para debater inovação na gestão pública e o papel da comunicação institucional.

A Lei Orgânica do Município, no seu artigo 61, estabelece que o prefeito — ou o vice-prefeito, quando em exercício — não pode se ausentar do município ou se afastar do cargo sem autorização da Câmara, sob pena de perda do mandato, salvo por período inferior a quinze dias. O artigo seguinte, de nº 62, também prevê a possibilidade de licença em caso de missão oficial de representação do município, desde que justificada e aprovada pelo legislativo.

No entanto, a legislação municipal não determina expressamente que o cargo deva ser transmitido ao vice-prefeito em caso de ausência para viagem internacional, embora essa seja uma prática comum em diversas administrações pelo país, tanto por prudência institucional quanto por respeito à hierarquia do Executivo.

A dúvida que paira é: Márcia vai oficializar a licença e passar o comando para seu vice, Faeca Melo (Avante)?

O contexto político torna essa decisão ainda mais delicada. O relacionamento entre a prefeita e o Avante, partido de Faeca e comandado em Pernambuco pelo ex-deputado federal Sebastião Oliveira, está longe de ser pacífico. A tensão ganhou força após Márcia assumir publicamente apoio à pré-candidatura de seu esposo a deputado estadual, o que contraria,  um suposto compromisso firmado com Sebastião durante a aliança eleitoral de 2024, em que ela teria garantido apoio ao próprio Sebá para a Alepe.

Mesmo diante desse cenário de desconforto político, Faeca tem sido escalado por Márcia para representá-la em atos institucionais no âmbito municipal e, sejamos justos, tem se saído conforme manda o figurino. A provocação agora é: ela manterá essa mesma postura diante de uma viagem internacional? Oficializará a licença junto à Câmara e transmitirá o cargo ao vice, como prevê o rito republicano, ou optará por outra estratégia administrativa — em meio ao tensionamento com o partido de Faeca?

Assim, surgem as perguntas:

  • Márcia solicitará licença à Câmara?
  • Haverá transmissão formal do cargo ao vice-prefeito?
  • Ou a viagem será tratada como missão breve, sem necessidade de repasse de funções, mesmo com o afastamento do país?

Seja qual for a decisão, ela carregará implicações políticas e simbólicas. Para Faeca Melo, assumir o cargo, ainda que temporariamente, significaria prestígio institucional e o cumprimento da liturgia do poder. Por outro lado, a ausência de um gesto formal nesse sentido pode reforçar a leitura de distanciamento político entre os aliados.

Enquanto o seminário Reboot se aproxima, o cenário local segue em suspense, à espera de uma sinalização da Prefeitura. No centro da dúvida, um gesto que, mais do que administrativo, pode ser um recado político.