Ministro da Educação não garante mais verba para UFPE este ano

Uma semana após a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anunciar um corte de gastos por conta de uma redução nos repasses de recursos da União, o ministro da Educação, Camilo Santana, esteve no Recife ao lado do reitor da UFPE, Alfredo Gomes. e disse que não há previsão para que a instituição receba mais verba este ano.

A fala do ministro ocorreu nesta terça-feira (15) durante uma visita às obras do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), ao lado do presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro. Camilo Santana ainda disse saber que o valor ampliado de R$ 9,4 bilhões destinados para as universidades federais nos dois últimos anos não é o suficiente.

“Os anos de piores recursos orçamentários das universidades federais foram 2021 e 2022 e o reitor sabe disso. Então nós estamos recuperando e, claro, que ninguém pode recuperar tudo de uma vez. O orçamento das universidades é de R$ 61,5 bilhões, comparado a R$ 51,2 bilhões de 2022. Houve um crescimento significativo”, argumentou o ministro.

No dia 8 de julho, o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, anunciou os gastos necessários para evitar que a universidade tivesse suas atividades paralisadas. De acordo com ele, há um déficit orçamentário de R$ 23,9 milhões e, por conta disso, contratos com empresas terceirizadas serão impactados, além da suspensão dos editais que recebem verba do Tesouro Nacional.

Além disso, as perdas são agravadas pela não correção do valor pelo índice de inflação no período. Caso fosse corrigido pela inflação, o montante destinado à UFPE seria de R$ 400 milhões, em comparação ao ano de 2014. Em 2025, o orçamento aprovado destinou R$ 170 milhões à Universidade.

A medida afeta o fornecimento de serviços como limpeza, energia, manutenção da universidade, além do desenvolvimento de pesquisas e políticas de extensão. Atualmente a UFPE tem mais de 48 mil alunos, 2.500 professores e 3.500 técnicos distribuídos nos campi do Recife, Caruaru e Vitória de Santo Antão.

Mesmo estando ao lado do ministro Camilo Santana durante a visita desta terça, o reitor da UFPE não se posicionou sobre o corte de gastos. O ministro disse estar à disposição da universidade para debater sobre as necessidades da instituição nos próximos meses.

Como medida para reverter a situação das universidades federais, Santana disse que tem trabalhado em um Projeto de Lei que garanta a sustentabilidade e orçamentária destes centros de educação. “Se a gente não investe e não garante recursos para as universidades, que são responsáveis por quase 90% da pesquisa brasileira… É preciso garantir esse orçamento para garantir previsibilidade, planejamento e para o reitor saber quanto que ele vai ter no ano seguinte”, complementou.