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O Globo
O Palácio do Planalto reforçou a cobrança para que ministros do governo se empenhem politicamente na reta final da eleição. A pouco mais de uma semana para o primeiro turno, a chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, organizou um jantar com integrantes do primeiro escalão do governo, nessa terça-feira, em Brasília. Na confraternização, foi feito o pedido para que inaugurassem o que fosse possível até o dia do primeiro turno e que os ministros reforcem a presença política em seus estados de origem, seja por meio de participação de atos in loco ou com entrevistas à imprensa regional.
A pressão sobre os ministros ocorre num momento em que pesquisas indicam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão empatados no segundo turno. Levantamento da Quaest divulgado na última segunda-feira mostrou o filho de Jair Bolsonaro, principal adversário de Lula, numericamente à frente do petista num eventual segundo turno (o senador registra 42% dos votos, ante 41% do presidente). No primeiro turno, o chefe do Executivo aparece à frente: 37% ante 33% de Flávio.
O tom do recado é de que os ministros se coloquem no debate e façam defesa enfática de Lula em vídeos, pedindo votos e falando de feitos da gestão, além de intensificar a presença nas ruas e nas redes. A cobrança também foi direcionada a secretários-executivos e todos demais integrantes de segundo escalão, considerados pelo Planalto quadros de perfil burocráticos, pouco engajados na campanha e que resistem a fazer defesa pública do governo.
Segundo relatos de um ministro que acompanhou o jantar, falaram inicialmente Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além do ex-ministro Gilberto Carvalho, que está na coordenação de campanha de Lula.
Num segundo momento, os demais ministros puderam falar. Esse político diz que foram tratados os rumos da campanha, como está a situação hoje e o que é necessário fazer para ajustar até o fim do processo eleitoral. Os custos para o jantar foram divididos igualmente entre os participantes. Serviram churrasco e acompanhamentos (vinagrete, arroz e farofa). Para beber, água, suco e refrigerantes.
A avaliação é que é preciso apontar para o futuro e o que será um eventual governo Lula 4, com propostas concretas e o que pode ser melhorado, e mirar o eleitorado de centro. Em sua fala, Gilberto fez um comparativo com eleições passadas e disse ser necessário ocupar o território e mobilizar a militância. Esse ministro diz ainda que uma orientação dada foi para que todos adotassem um discurso único e alinhado.
Em outro momento, falaram da importância de buscar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 após o primeiro turno e de buscar alternativa para o problema das bets (algo que está em discussão no governo).
A atuação da ministra Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário) é usada como exemplo a ser seguido por integrantes do Planalto. A ministra tem feito uma série de vídeos em que explica didaticamente as conquistas do governo Lula, comparando com os números registrados na gestão Bolsonaro. Além disso, tem compartilhado registros de momentos em que ela conversa com eleitores nas ruas, buscando conscientizar o voto deles.
Durante o desfile do 7 de Setembro, o próprio presidente reconheceu e elogiou a postura de Machiaveli. Segundo relatos de interlocutores, em um determinado momento, Lula chamou os ministros Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) e Miriam Belchior para perguntar se eles haviam visto os vídeos publicados pela ministra. O petista também teria incentivado que essa fórmula deveria ser adotada pelos demais integrantes da Esplanada.
A fala dos presentes na terça ocorreu em tom semelhante a já feita com ministros em um jantar promovido pelo presidente do PT, Edinho Silva, em julho, ainda na pré-campanha, em que o dirigente cobrou que auxiliares de Lula fizessem defesa do governo e exalte as entregas da sua pasta.
Já em agosto, a cobrança dos ministros virou uma diretriz informal do no Palácio do Planalto que passou a cobrá-los a percorrerem o Brasil, a fim de divulgar ações do governo e defender a gestão petista, apesar das restrições da Lei Eleitoral durante o período de campanha.
A Casa Civil chegou a estabelecer uma meta de três viagens semanais para cada integrante do primeiro escalão, destinadas a inaugurações e visitas a obras do governo. Além disso, havia orientação para que eles falassem à imprensa local e ocupassem as redes sociais.
Na reta final da campanha, há também uma orientação informal para que os ministros que puderem peçam licença não remunerada ou tirem férias para se dedicar aos últimos dias da disputa.



