Motoristas e metroviários da Região Metropolitana do Recife decidem paralisar atividades nesta quarta-feira

GUGA MATOS/JC IMAGEM

A população que depende do transporte público na Região Metropolitana do Recife (RMR) deve enfrentar transtornos nesta quarta-feira (26). Motoristas de ônibus e metroviários anunciaram paralisação das atividades.

Motoristas e empresários de ônibus não chegaram a um acordo salarial nesta terça-feira (25) e, assim, a greve programada para começar à meia-noite desta quarta está mantida. As categorias se reuniram pela segunda vez mediadas pela Justiça do Trabalho, mas não houve progresso sobre as negociações.

Em assembleia na noite desta terça, os metroviários decidiram por uma paralisação de 48 horas em conjunto com os rodoviários.

Com os dois movimentos acontecendo juntos, o impacto será grande para mais de 2 milhões de passageiros que dependem do transporte público da RMR diariamente.

Na segunda reunião realizada sob mediação do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT 6ª Região), a Urbana-PE apresentou uma contraproposta para os rodoviários de 3% de reajuste salarial, ticket de R$ 370 e gratificação pela dupla função no valor de R$ 150.

Os rodoviários não aceitaram e fizeram uma contraproposta para levar à categoria de 5% de reajuste, ticket de R$ 500 e gratificação de R$ 200. Mas os empresários não aceitaram.

A proposta inicial dos motoristas de ônibus era de aumento real de 10%, além da inflação, piso salarial para os setores administrativo e de manutenção, aumento do vale-refeição para R$ 600 e da cesta básica para R$ 400, entre outras reivindicações.

“A Urbana-PE demonstrou, mais uma vez, que não quer negociar. Que não valoriza nosso movimento e quer mesmo o dissídio. Nós colocamos uma segunda proposta na mesa, algo bem abaixo do que já tinha sido aprovado em assembleia da categoria, e mesmo assim não teve acordo. Assim, a greve está mantida”, disse Aldo Lima, presidente do Sindicato dos Rodoviários.

“Nós apresentamos uma proposta há 45 dias e não tivemos retorno. Agora, a Urbana vem com essa contraproposta que é um desacato a toda a categoria. É um desrespeito. São R$ 7 a mais no ticket e R$ 11 a mais na gratificação da dupla função. Apenas. Por isso, a greve está mantida. E vamos fazer um movimento forte para mostrar a esses empresários que nós temos valor”, reforçou.

Já os empresários de ônibus alegaram que não têm condições de dar um reajuste acima da inflação. “É inviável. Não tivemos realinhamento tarifário este ano e a demanda de passageiros ainda não se recuperou desde a pandemia de covid-19, o que dificulta a situação”, argumentou Fernando Bandeira de Mello, presidente da Urbana-PE.

A segunda reunião, mediada pela Justiça do Trabalho, aconteceu às 8h, mais uma vez na sede do TRT-6, no Cais do Apolo, Bairro do Recife, área central da capital pernambucana. Rodoviários e empresários de ônibus estiveram reunidos na segunda (24), também sob mediação do TRT-6.

Urbana-PE vai pedir julgamento do dissídio

A Urbana-PE informou, após a reunião fracassada, que irá pedir o julgamento do dissídio de greve ao TRT-6 para tentar reduzir o impacto da greve dos motoristas de ônibus nesta quarta (26). Também alerta que não vai permitir o bloqueio das garagens, impedindo a saída de profissionais que querem trabalhar.

Confira a nota na íntegra:

“A Urbana-PE informa que se reuniu novamente com o Sindicato dos Rodoviários, nesta terça-feira (25), com objetivo de avançar no entendimento sobre a negociação coletiva da categoria. O encontro foi intermediado pela corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) e pelo Ministério Público do Trabalho. Ao contrário do que tem sido divulgado pelas lideranças rodoviárias, a Urbana-PE sempre esteve aberta ao diálogo e apresentou propostas concretas, inclusive com ganho real para a categoria. Entretanto, os rodoviários seguiram inflexíveis e aparentemente desinteressados em uma verdadeira negociação, dentro da realidade econômica do país e do setor.