Move Brasil destrava financiamentos até para motoristas com nome sujo

Loja da BYD lotada no primeiro dia do programa Move Brasil

G1

A linha de crédito Move Aplicativos, criada dentro do Move Brasil pelo governo federal, começou a operar plenamente desde o dia 02 de julho, com a entrada do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Assim, concessionárias de diversas marcas começaram a fechar as primeiras vendas com condições diferenciadas para motoristas de aplicativo e taxistas.

Dos R$ 30 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), R$ 1 bilhão foi consumido desde o dia 19 de junho, quando o programa começou a operar. No balanço divulgado, 10.179 motoristas conseguiram fechar suas compras, com valor médio financiado de R$ 102 mil, segundo informações divulgadas pelo banco.

O volume de vendas ainda é baixo perto da quantidade de motoristas que buscam acessar a linha de crédito, mas o avanço mostra que as coisas começaram a andar. Anfavea e Fenabrave, que representam as montadoras e as concessionárias instaladas no Brasil, acreditam que o Move Aplicativos tem capacidade para gerar até 200 mil vendas.

Na concessionária Geely de Criciúma (SC), algumas vendas foram fechadas pela nova linha do governo, com o financiamento aprovado através do Banco do Brasil. Nesse caso, as vendas foram concluídas exatamente como o governo anunciou, sem entrada e com prazo de financiamento de até 72 meses.

“No começo de julho eu fechei cinco vendas através do Move Aplicativos. A análise de crédito dos bancos segue criteriosa, mas quem tem um perfil que atende às exigências do banco, está conseguindo comprar”, disse Morgana Vieira, vendedora da Geely.

Na Região Sudeste, nossa reportagem conversou com a vendedora de um grande grupo concessionário que também confirmou o início da operação com algumas vendas fechadas: “Conseguimos avançar com algumas negociações através de bancos privados e de montadoras, que aceitaram o financiamento sem entrada. A única condição que mudou foi a carência: caiu de 180 dias para 60 dias, mas o restante foi mantido”, disse a profissional, que pediu para não ser identificada.

Experiência de quem conseguiu comprar

“Acho que tive bastante sorte. Quando comecei o processo eu não sabia que estava tão difícil”, disse Ana Paula Martins Oliveira Silva, de 46 anos, de Ponta Grossa (PR), que trabalha como motorista de aplicativo há três anos.

Ela se cadastrou na plataforma do BNDES no dia 22 de junho e, logo depois de aprovada, solicitou o crédito no aplicativo do Banco do Brasil, que já tem uma aba do Move Aplicativos. O app informou que a solicitação de crédito estava aprovada, mas que era necessário aguardar até dez dias por um contato do banco, confirmando a liberação dos valores.

“Depois de sete dias, a minha gerente do banco ligou e avisou que estava tudo aprovado. Com isso eu fui até a concessionária e escolhi o carro, já recebi a nota fiscal e enviei ao banco, que repassou o valor para a loja. Agora, estou só esperando o contrato de compra ser enviado para assinar e retirar o carro. Todo esse processo levou menos de um mês”.

A motorista escolheu um Honda City Touring sedã. Alguns fatores pesaram na decisão, como o curto prazo de entrega do veículo, cerca de cinco dias — e o bom atendimento na concessionária. Ana contou que sonhava com um carro elétrico e foi em outras lojas, mas os prazos de entrega eram maiores, de 15 a 45 dias. Além disso, algumas revendas informaram que não estavam conseguindo aprovar a compra pelo Move Aplicativos.

Para Ana Paula, o processo foi todo muito rápido e simples, o que a deixou surpresa, tendo em vista que possui restrição em seu CPF no Serasa. São dívidas antigas que têm pesado contra a grande maioria dos motoristas. No entanto, ela é correntista antiga do Banco do Brasil, onde já tinha um financiamento quitado e outro sendo pago em dia.

“Isso pesou muito mais do que as restrições antigas que tenho em meu nome. O que ouvi é que minha relação com o banco e o histórico dos pagamentos em dia teve peso maior na avaliação, mesmo com essa questão do Serasa”, comemorou.

A motorista escolheu um Honda City Touring sedã. Alguns fatores pesaram na decisão, como o curto prazo de entrega do veículo, cerca de cinco dias, e o bom atendimento na concessionária. Ana contou que sonhava com um carro elétrico e foi em outras lojas, mas os prazos de entrega eram maiores, de 15 a 45 dias. Além disso, algumas revendas informaram que não estavam conseguindo aprovar a compra pelo Move Aplicativos.

Análise de crédito segue criteriosa

A motorista Ana Paula é um caso fora da curva, pois a maioria dos motoristas ainda sofre para aprovar um financiamento dentro do Move Aplicativos, principalmente com restrições no CPF. Porém, o cenário mostra que para os motoristas que têm boa relação com algum banco, são clientes antigos e, com aquela instituição, não tiveram nenhum tipo de dívida, é possível conseguir uma aprovação.

Os vendedores consultados pela reportagem explicaram que as análises seguem bastante criteriosas, como em qualquer financiamento, e a maior parte dos motoristas não atende todas as exigências. Além de possíveis restrições, conseguir comprovar a renda necessária para pegar o montante desejado é algo que tem pesado bastante.

Carros seminovos entraram na jogada

O governo alterou o projeto inicial do programa, através de uma nova Medida Provisória (MP) publicada no dia 15 de julho. Agora, carros seminovos também podem ser comprados por motoristas de aplicativo e taxistas, uma vez que inicialmente só era permitida a compra de veículos novos.

Assim como os modelos novos, os seminovos devem ser elétricos, híbridos ou flex, mas com ano-modelo de 2024 em diante. Além disso, não podem ultrapassar o teto de R$ 150 mil.