O depoimento à PF que cita viagem a negócios de Lulinha e o Careca do INSS

Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha

Ex-marqueteira do PT, a publicitária Danielle Miranda Fonteles confirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, participou de visitas técnicas a instalações e fábricas onde Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, planejava produzir medicamentos à base de cannabis em Portugal

Em seu relato,  Danielle disse que o filho do presidente Lula era convidado do lobista que é apontado pelos investigadores como o principal operador do esquema de corrupção que desviou 4 bilhões de reais das aposentadorias dos idosos.

Durante as visitas, segundo ela, Lulinha não costumava conversar muito e não tinha participação efetiva em nenhuma das negociações. A publicitária prestava serviços de consultoria ao lobista. Confira aqui trechos do depoimento:

Trecho de documento com informações pessoais de Danielle Miranda Fonteles, destacada em amarelo, incluindo identidade de gênero mulher cisgênero, natural do Brasil, casada, filha de Jose Maria Seixas Fonteles e Sheyla Miranda da Silva, nascida em 11/05/1970, com ensino superior completo, publicitária, residente em Brasília/DF e Portugal. Dados sensíveis como CPF, RG, endereço, e-mail e telefone estão borrados

Trecho de texto jornalístico em papel amassado, destacando em amarelo o nome

A Polícia Federal suspeita que Lulinha era usado pelo Careca do INSS para abrir portas de gabinetes importantes tanto em Brasília como em Portugal. De acordo com um executivo do lobista, o filho do presidente ganhava uma mesada de 300 mil reais do esquema que fraudou os aposentados.

Danielle disse aos policiais que se mudou para Portugal em 2019. Lá, passou a trabalhar com gestão de empresas de brasileiros que queriam empreender na Europa, ocasião em que conheceu Camilo Antunes, então um empresário desconhecido, oriundo do setor farmacêutico, interessado em implantar uma fábrica de produtos à base de cannabis.

A publicitária foi contratada para atuar na estruturação do projeto. Ela relatou aos policiais que exercia a função de consultora e tinha uma remuneração de 4.000 euros por mês. No depoimento, negou ser sócia do “Careca do INSS”.

Danielle entrou na mira das investigações sobre as fraudes bilionárias no INSS depois de revelado que ela recebeu 5 milhões de reais de uma das empresas ligadas ao Careca do INSS. Ela disse que os valores seriam referentes a parcelas de um negócio imobiliário com Camilo Antunes.

No passado, a publicitária foi investigada na Operação Acrônimo, que apurou um esquema de uso de contratos fictícios e repasses de empreiteiras para financiar campanhas petistas. Na época, ela comandava a Pepper Comunicação Interativa.