O futuro híbrido de Goiana: R$ 13 bilhões para uma nova fase da mobilidade limpa

Tecnologia Bio-Hybrid em modelos como o Fiat Pulse combina eletrificação com motores flex abastecidos com gasolina ou etanol, atendendo ao perfil do consumidor sul-americano

O Polo Automotivo Stellantis de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, entra em um novo ciclo estratégico após uma década de consolidação industrial. O Polo anunciou um investimento de R$ 13 bilhões entre 2025 e 2030, preparando a planta para ampliar o portfólio, incorporar novas tecnologias e assumir protagonismo na transição para uma mobilidade de menor impacto ambiental.

Bio-Hybrid

O principal pilar desse novo ciclo é a tecnologia Bio-Hybrid, desenvolvida pela Stellantis no Brasil. A solução combina eletrificação com motores flex abastecidos com gasolina ou etanol, resultando em veículos mais eficientes, acessíveis e adequados ao perfil do consumidor sul-americano.

Ao integrar o etanol, biocombustível renovável com cadeia produtiva consolidada no país, à eletrificação, a estratégia permite reduzir emissões sem comprometer competitividade, escala ou viabilidade econômica.

“O foco é oferecer veículos eficientes e acessíveis, combinando eletrificação e etanol. Pernambuco terá papel estratégico nesse avanço, concentrando parte relevante da produção dos novos modelos”, afirma Para Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul

Novos modelos

Goiana será responsável pela produção de quatro novos modelos com tecnologia Bio-Hybrid, ampliando o portfólio de veículos híbridos da Stellantis no Brasil, que já inclui modelos como Fiat Pulse e Fastback, além dos Peugeot 208 e 2008 Hybrid.

A Stellantis também confirmou o início da produção da Leapmotor em Goiana a partir de 2026. A marca chinesa é reconhecida globalmente pelo desenvolvimento de veículos eletrificados com forte integração entre hardware, software e sistemas inteligentes. Embora ainda não estejam definidos quais modelos serão fabricados localmente, a chegada da Leapmotor eleva o nível tecnológico da planta e amplia seu alinhamento com plataformas globais de eletrificação.

Outras marcas fabricadas no polo também estão no radar para receber versões eletrificadas, embora a empresa ainda não tenha detalhado quais modelos serão contemplados.

Sustentabilidade integrada

Em 2021, Goiana tornou-se o primeiro complexo automotivo carbono neutro da América Latina. Desde setembro de 2024, os veículos flex produzidos na planta passaram a sair abastecidos com etanol 100% pernambucano, reduzindo a pegada de carbono e fortalecendo a economia local.

Novo ciclo industrial

A expansão da estratégia Bio-Hybrid reflete a maturidade industrial construída em Pernambuco. A planta passa a desempenhar papel estratégico na produção em escala de modelos híbridos para diferentes marcas da Stellantis, atendendo mercado interno e exportações.

“A estratégia Bio-Hybrid traduz uma transição energética compatível com a realidade brasileira, aproveitando nossa matriz energética e a maturidade industrial construída em Pernambuco para oferecer diferentes níveis de eletrificação, com redução efetiva de emissões”, destaca vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis para a América do Sul.

Para Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, o momento marca um avanço decisivo.

“Temos muito orgulho da história construída ao longo dos últimos 10 anos pelo Polo Automotivo de Goiana, e dividimos esta alegria com todos os nossos empregados e parceiros que nos ajudaram a consolidar a fábrica como uma das mais modernas da Stellantis no mundo. As perspectivas para o futuro são excelentes! Teremos uma nova marca e 6 novos produtos na fábrica entre 2025 e 2030. Também confirmamos que o primeiro veículo equipado com a tecnologia Bio-Hybrid produzido em Goiana será lançado em 2026” afirma.

Após dez anos, o Polo Automotivo deixa de ser apenas um centro de produção em escala para se consolidar como plataforma tecnológica, de inovação e sustentabilidade da Stellantis na região. Um movimento que encerra um ciclo histórico iniciado em 2015 e abre outro, decisivo, para o futuro de Goiana, de Pernambuco e da indústria automotiva brasileira.