
Por Igor Maciel/JC
Nas eleições de 2018 houve uma “briga” entre candidatos ao Senado de Pernambuco pelo título de “Senador de Lula”. Na época, Humberto Costa (PT) era o nome diretamente ligado ao líder petista, mas Silvio Costa (pai do ministro Silvio Costa Filho) também fazia campanha usando a referência.
Silvão, como é carinhosamente chamado nos bastidores, tinha motivos e credibilidade para isso, pelo esforço que havia feito, enquanto deputado federal, para defender o mandato de Dilma Rousseff (PT) no Congresso, na época do impeachment.
Humberto foi eleito e Silvio ficou em quarto lugar. Muitos consideraram o parco apoio dos petistas a Silvio Costa como uma injustiça, por tanto que ele sacrificou na crise do partido. Mas tudo passou.
A lembrança vem à mente agora porque é possível que estejamos vivendo o início de um movimento contrário ao de 2018. Na época, ser o “candidato de Lula” era o que dava destaque a uma propositura. Agora, a tendência é que existam tantos “candidatos de Lula” que o destaque vai ser não carregar o título.
Sem polêmica, caros leitores, Lula continua sendo forte em Pernambuco e deve impulsionar uma candidatura para a vitória. Não se trata disso. Mas é que a regra naturalmente enfraquece a distinção. Se a regra é ser o candidato de Lula, ser o candidato de Lula não é lá grande coisa agora. Quase todo mundo é.
Na última sexta-feira (16), o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) anunciou durante entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, que foi comunicado por Lula numa reunião que será o seu candidato ao Senado em Pernambuco. Silvio Costa Filho, portanto, seria o “senador de Lula”.
Pois bem, a questão é que na mesma entrevista Silvinho fez questão de lembrar que outros nomes também estão no jogo e os listou por uma questão de coleguismo, sendo honesto com a realidade. A lista é longa.
Além do ministro, estão disputando o Senado com a possibilidade de serem os candidatos de Lula ao menos mais uma meia dúzia de nomes, contando com aquele que é candidato de Lula com certeza: Humberto Costa, por ser do PT.
E a tendência é que quase todos consigam carregar essa alcunha, porque é interesse de Lula que todos sejam “candidatos de Lula”. O motivo é o mesmo pelo qual há uma preferência por palanques múltiplos de governador que carreguem a bandeira do atual presidente.
Quanto mais gente pedindo voto para ele, melhor para a reeleição. No caso dos senadores, há uma preocupação real com a governabilidade futura. Vencer a disputa contra a direita será importante em 2026, mas para governar em 2027 será necessário ter muitos aliados no Congresso.
Quanto mais nomes ligados ao presidente forem eleitos, maior será essa vantagem e menores serão os atritos.
Do jeito que a coisa está caminhando, caso se firme a ideia de um palanque duplo ou triplo para a eleição majoritária de Pernambuco, o destaque vai ficar por conta daqueles que ficarem de fora da regra.
Anderson Ferreira (PL), por exemplo, se for candidato ao Senado mesmo, poderá fazer campanha dizendo que é “o único a não ser o candidato de Lula”. Seria curioso.



