O que está por trás da decisão de Arthur Lira de atrasar o PL da Anistia

Metrópoles

A decisão de Arthur Lira (PP-AL) de enviar o projeto da anistia os condenados pelo 8 de Janeiro para uma comissão especial faz parte da estratégia dele para emplacar seu candidato favorito como seu sucessor no comando da Câmara.

Em um ato assinado nesta segunda-feira (28), dia em que a Casa estava fechada em razão do Dia do Servidor Público, Lira tirou o projeto da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e mandou para uma comissão especial.

Com a jogada, Lira atrasou a tramitação da proposta, que poderia ser votada nesta semana na CCJ, e tirou o tema do debate envolvendo a sua sucessão no momento em que os partidos definem que candidatos apoiarão na disputa.

A estratégia foi vista como um aceno direto do presidente da Câmara ao PT de Lula, que é contrário à proposta. O partido realiza nesta semana reuniões para decidir o nome que chancelará na disputa pela sucessão de Lira.

Para evitar problemas com a bancada do PL, o atual chefe da Câmara também discutiu o futuro do projeto previamente com figuras do partido. Entre elas, Valdemar Costa Neto, atual presidente da sigla, e Jair Bolsonaro.

O mandatário também conversou previamente com a presidente da CCJ, a deputada bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC), que havia pautado a votação da matéria na comissão para esta semana.

O discurso de Lira é de que, com açodamento, dificilmente os bolsonaristas conseguiriam apoio suficiente para aprovar o texto. O melhor, então, seria discutir o mérito do projeto na comissão especial.

A avaliação dos bolsonaristas é de que, na discussão do mérito, seria possível negociar um texto que possa ser aprovado não só na Câmara, como no Senado, onde o governo tem uma maioria mais consolidada.

O candidato do atual presidente da Câmara é o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). O apoio, inclusive, foi formalizado por Lira na manhã desta terça-feira (29), horas após a decisão sobre o PL da Anistia.

Como noticiou a coluna, o anúncio contou com a presença de pelo menos um deputado federal do PT de Lula e dois do PL de Bolsonaro, que também deve decidir nesta semana que candidato apoiará na disputa na Câmara.

Na campanha de Hugo Motta, a ordem é evitar polêmicas em relação à anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro, de modo a não irritar nem o PL de Bolsonaro, nem o PT de Lula.

Em entrevista nesta terça após o Republicanos oficializar seu nome à presidência da Câmara, Motta deixou claro que não considera o projeto um tema da campanha e disse quem cuidará disso é Arthur Lira.

“Acho injusto misturar o tema do PL da Anistia com as eleições para presidência da Câmara”, disse Motta, ressaltando não ter assumido qualquer compromisso contra a proposta.