
A decisão em que o ministro Alexandre de Moraes manteve Jair Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária, mas endureceu as restrições impostas ao ex-presidente, também trouxe uma resposta direta às críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro. Ao rejeitar a tese de que as limitações impostas a Bolsonaro o deixariam “incomunicável”, Moraes classificou a alegação como “patética” e apresentou um balanço das visitas recebidas pelo ex-presidente desde que passou a cumprir a pena em casa.
A manifestação ocorre quatro dias depois de Flávio afirmar, em transmissão nas redes sociais, que Moraes estaria tentando interferir nas eleições ao suspender, por 90 dias, suas visitas ao pai. “O que o Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar o meu pai incomunicável”, disse o senador na última segunda-feira (13). Segundo ele, a proibição, válida justamente durante o período eleitoral, impediria qualquer contato até depois do primeiro turno.
Na decisão desta sexta-feira, Moraes rebate diretamente esse argumento. “Ressalte-se, por fim, ser patética a alegação de que restrições temporárias de visitas por descumprimento de medidas cautelares acarretariam a incomunicabilidade do custodiado Jair Messias Bolsonaro”, escreveu o ministro.
Para sustentar a afirmação, Moraes detalhou a rotina do ex-presidente na prisão domiciliar. Segundo o ministro, Bolsonaro vive desde março com a esposa, a filha e a enteada, além de contar diariamente com agentes de segurança e uma cozinheira. A decisão registra ainda que, desde o início da prisão domiciliar, o ex-presidente recebeu 185 visitas, entre familiares, médicos, fisioterapeuta, advogados e prestadores de serviço. Somente os advogados realizaram 64 visitas no período, enquanto médicos particulares compareceram 70 vezes.



