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Por Malu Gaspar/O Globo
Enquanto o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo articulam nos Estados Unidos sanções do governo Trump contra autoridades brasileiras, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro já fizeram chegar a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) que ainda esperam um “sinal de pacificação” da Corte para tentar distensionar o clima.
Em conversas reservadas, alguns interlocutores do clã Bolsonaro tentam convencer integrantes do Supremo a trabalhar pelo arquivamento de alguns inquéritos, numa indicação de que não há perseguição contra eles.
“O Supremo deveria encerrar inquéritos que não resultaram em denúncia, mas prefere deixar todo mundo pendurado no anzol, o que só dá força ao Eduardo e ao Paulo Figueiredo”, diz um aliado de Bolsonaro com bom trânsito no meio jurídico.
“Era só encerrar o que tem de ser encerrado para esvaziar essa maluquice do Eduardo com o Paulo Figueiredo”, acrescenta.
O comentário é uma referência a duas investigações que fecharam o cerco contra o ex-presidente Bolsonaro e seu entorno: a das joias sauditas e o controverso inquérito das fake news, aberto pelo então presidente do STF Dias Toffoli em março de 2019, para apurar ameaças e ofensas a integrantes da Corte e seus familiares.
As duas investigações estão sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções do governo Trump articuladas por Eduardo e Paulo Figueiredo em retaliação ao julgamento da trama golpista, que levou à condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Até agora, porém, todos os apelos dos aliados de Bolsonaro tem sido em vão. Até por conta da ofensiva dos bolsonaristas nos Estados Unidos, ministros do Supremo dizem nos bastidores que não existe intenção de fazer nenhuma concessão nesses casos. Ponderam, também, que não cabe a eles tentar influenciar Moraes em uma decisão que só cabe a ele.
Em dezembro do ano passado, Moraes prorrogou o inquérito das fake news por 180 dias para concluir as investigações sobre o financiamento e a atuação do chamado “gabinete do ódio”, estrutura montada no Palácio do Planalto durante a gestão Bolsonaro. O caso tramita sob sigilo.
Também mantém Bolsonaro em prisão domiciliar no âmbito do inquérito que apura coação no curso do processo da trama golpista, apesar de o ex-presidente não ter sido denunciado no caso.
Se depender de Moraes e de seus colegas no STF, portanto, os bolsonaristas vão continuar esperando indefinidamente pelos gestos de pacificação.





