
Estadão
Pouco depois da demissão de Nísia Trindade, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em conversa reservada com auxiliares, que o Ministério da Saúde precisa mudar. A ordem agora é para que a pasta seja conduzida de forma mais política e entre o mais rápido possível na disputa por uma marca de governo.
Dois anos se passaram e Lula não vê nada de novo na prateleira para vender, além dos planos já anunciados. Reembalou alguns, como o Farmácia Popular, e vai mudar o nome de outros considerados indecifráveis, como o Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE). Mas o fato é que, até hoje, não encontrou um mote para tirar o governo da crise.
A escolha mais difícil para o presidente, porém, ainda está por vir e será fundamental para a construção das alianças no ano eleitoral de 2026. Apesar da acentuada queda de popularidade, Lula quer que o novo articulador político do governo comece a discutir desde já a montagem dos palanques nos Estados para a campanha do ano que vem.
Sem maioria no Congresso, o presidente procura um nome que transite bem do Centrão à esquerda, passando pelo PL de Jair Bolsonaro, para cumprir essa tarefa. Ele tem sido pressionado a anunciar o sucessor de Alexandre Padilha nas próximas horas.
Até agora comandada por Padilha, que foi transferido para a Saúde, a Secretaria de Relações Institucionais é chamada de “UPA” do Palácio do Planalto. Por lá passam diariamente dezenas de parlamentares, muitos com semblante enfezado. Ali, os sofás de couro preto do quarto andar do Planalto, perto do gabinete do ministro, estão sempre lotados e a maioria dos deputados que bate ponto na “UPA” briga pela liberação do dinheiro das emendas.
Apesar do desafio de construir uma nova marca para o ministério, após a demissão de Nísia, Padilha não esconde o alívio de deixar o posto com assento no quarto andar. No governo Dilma Rousseff, o ocupante daquela cadeira chegou a ser chamado, pejorativamente, de “garçom” do Planalto. Não sem motivo: só servia para “tirar os pedidos” de deputados e senadores, mas quem resolvia mesmo era a Casa Civil. De lá para cá, tudo só piorou.



