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O que deveriam ser obras temporárias para melhoria da infraestrutura se transformou em um desafio constante para alunos, pais e responsáveis da escolas municipais São Cristóvão e Municipal da Guabiraba, ambas na Zona Norte do Recife. Com início em 12 de junho de 2023, orçada em R$ 558.122,63, as reformas nas unidades de ensino se estende sem previsão de conclusão, submetendo a comunidade escolar a um cotidiano marcado por barulho, poeira e incertezas quanto à finalização dos serviços.
Inicialmente programada para ser entregue em 12 de abril de 2024, a obra se arrasta e, segundo relatos de pais e alunos, tem comprometido não apenas o conforto, mas a qualidade do aprendizado. “De início, disseram que seria uma reforma para adaptar as salas com rampas e garantir acessibilidade. Falaram que em seis meses tudo estaria resolvido, mas até hoje estamos assim“, relatou uma mãe, que preferiu não se identificar. “Meus filhos estão sendo afetados pela poeira e pelo barulho constantes“, desabafou.
Impacto na rotina escolar e falta de infraestrutura
A situação se agrava na vizinha Escola Municipal da Guabiraba, onde a ausência de um telhado na área de entrada expõe alunos e responsáveis ao sol forte e à chuva. Sem cobertura, os estudantes precisam utilizar a garagem como acesso e disputar espaços com sombra enquanto aguardam a abertura dos portões. “É muito sacrificante estar aqui às 13h30, no sol quente, sem nenhum amparo. Eu que venho de perto já sofro, imagine quem vem de longe e ainda precisa esperar no sol até abrirem o portão“, desabafou uma mãe.
O cenário é ainda mais delicado para estudantes que dependem de transporte público. Uma aluna residente em Nova Descoberta contou à reportagem que chega à escola por volta das 13h para não perder o ônibus e, com isso, acaba enfrentando longas esperas. “Se eu sair de casa depois, perco o ônibus e chego atrasada. Em dias de chuva, precisamos pedir abrigo em comércios próximos até liberarem a entrada“, relatou.
Além da espera, a demora na abertura dos portões tem gerado insatisfação. “A gente sai de casa mais tarde para não ficar torrando no sol, mas eles nunca abrem na hora. Sempre atrasam, e os alunos chegam à sala suados e cansados“, criticou outra mãe. Ela também mencionou preocupações com a higiene: “Há uma sala com muito cocô de pombo. Os pássaros fizeram ninhos lá. Não tive acesso, mas minhas filhas contam que veem os pombos no local”.
A falta de infraestrutura também compromete as atividades extracurriculares. A comunidade escolar reclama da ausência de um espaço digno para recreação. Segundo uma mãe, a unidade vizinha, Escola São Cristóvão, possui quadra, mas o espaço não é compartilhado. “As duas escolas são da prefeitura. Por que não ceder o espaço para todos os alunos? É triste saber que as crianças não têm um local decente para brincar“, questionou.
Uma aluna confirmou que o pátio existente é utilizado apenas para refeições, sendo pequeno demais para brincadeiras ou atividades físicas. Ela lembrou que, no ano passado, um professor adaptou o estacionamento para as aulas de educação física. “Ele transformava o espaço em uma quadra e a gente conseguia jogar bola“, disse.
O que diz a gestão
Procurada, a direção da Escola Municipal São Cristóvão informou que a reforma está em fase final, restando apenas a pintura de alguns setores e a instalação do piso tátil para acessibilidade, cuja colocação está prevista para esta sexta-feira (20). A diretora reconheceu, no entanto, que o telhado que cobre o estacionamento e a entrada da unidade vizinha ainda não foi concluído. Segundo ela, o serviço é de responsabilidade de outra empresa, que iniciou a instalação mas não retornou para finalizá-la. A gestora garantiu que, apesar dessas questões pontuais, as aulas ocorrem normalmente.
Já a direção da Escola Municipal da Guabiraba informou que não está autorizada a conceder entrevistas à imprensa.
Posicionamento da Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação do Recife foi procurada para esclarecer os motivos do atraso na entrega das obras e a nova previsão de conclusão nas duas unidades. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.





