
Estadão
A operação contra a Betnacional, deflagrada nesta sexta-feira (28), dá munição eleitoral ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está orientado pelos estrategistas da campanha à reeleição a destacar as bets como “Geni” das finanças familiares.
Uma pesquisa da More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec apontou que 33% dos brasileiros acham que o governo Lula e o governo de Jair Bolsonaro (PL) são igualmente responsáveis pelo aumento das bets, mas há um contingente de 18% que acredita que o petista é o maior culpado.
Tanto no caso da Betnacional quanto no da Pixbet, alvo da PF no último dia 13, as suspeitas de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro estão relacionadas ao funcionamento delas no “mercado cinza”, entre 2018 e 2024. E não com supostos crimes cometidos a partir da vigência do mercado regulado, em 2025.
A diferença entre as duas janelas temporais tem uma carga política e eleitoral. É que no período anterior, até 2024, as bets foram beneficiadas por um limbo jurídico. Funcionaram com pouca ou nenhuma fiscalização e a partir de sedes reais ou fictícias no exterior que as isentaram de pagar tributos brasileiros.
As apostas estavam legalizadas desde 2018, por lei sancionada por Michel Temer (MDB). A norma determinava a regulamentação em até dois anos, prorrogáveis por mais dois. Isso só foi ocorrer em 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a regulação, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2025.
A crítica repetida pelo governo e pela campanha é a de que o governo de Jair Bolsonaro (PL) lavou as mãos para o problema das apostas e criou uma bola de neve.
Eis que nesta sexta-feira, ao detalhar as ações da Operação Jogo de Sombras, contra uma das maiores empresas de apostas do País, o secretário da Receita Federal, Robson Barreirinhas, reforçou a ideia de herança maldita.
“As bets foram legalizadas em 2018 e passaram muitos anos sem regulamentação. Houve omissão na regulamentação das bets, no controle, o que permitiu que elas se expandissem. As bets se apresentavam, como regra, domiciliadas no exterior, mas com fortes elementos de que estavam de fato presentes no Brasil. Isso era feito, na compreensão da Receita, para não pagar tributos no Brasil”, afirmou.
A entrevista, liderada por Barreirinhas, contou também com representantes da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. A chefe da SPA, Daniele Correa Cardoso, ressaltou a cooperação e o compartilhamento de informações entre os órgãos.
“Gostaria de reiterar o posicionamento do governo federal de combate incessante às bets ilegais no Brasil. Reconhecemos que as bets são um problema muito sério para a economia popular, endividam as famílias, aparecem como problema de saúde pública. Com a bet ilegal, esse problema é intensificado”, afirmou o secretário da Receita.
Agora, a campanha de Lula poderá reforçar que o petista herdou um problema grave do governo de Jair Bolsonaro, mexeu no vespeiro da regulamentação para mitigá-lo, empenhou seu governo em punir as que cometeram crimes e que quer buscar um “imposto retroativo” que não foi pago.
Mas já dentro da regulação do governo Lula houve expedição de licença para empresas ligadas ao jogo do bicho e para firmam que atuavam de forma ilegal antes do aval do governo, por exemplo. Além disso, a equipe de fiscalização do Ministério da Fazenda é mínima e as multas aplicadas até agora representam traço do faturamento das bets.
As duas operações policiais no mesmo mês, contra Betnacional e Pixbet investigam crimes e modus operandi parecidos, embora não relacionados entre si.
Ambas despertaram forte preocupação no mercado de bets legais, segundo representantes do setor consultados pela reportagem.
O temor se dá porque quase todas as 85 empresas de apostas autorizadas, com autorização para ofertar mais de 180 sites, funcionaram no “mercado cinza”. E várias delas de forma similar, com parte das operações no Brasil e parte fora.
A Betnacional foi comprada pela irlandesa Flutter, a maior empresa de apostas online do mundo, em 2025. Segundo empresários do setor, uma negociação bilionária como essa pressupõe o cumprimento de uma série de medidas verificadoras sobre a legalidade do negócio. E caso a Receita e o MPF estejam certos sobre os desvios, os prognósticos para outras empresas de apostas que se destacaram no “mercado cinza” também seria desfavorável.
A NSX, controladora da Betnacional, afirmou que “conduz suas operações em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance, alinhadas aos padrões internacionais da Flutter Entertainment, grupo global do qual faz parte, listado na Bolsa de Nova York (NYSE) e com atuação em mais de 100 países”.
As duas operações policiais no mesmo mês, contra Betnacional e Pixbet investigam crimes e modus operandi parecidos, embora não relacionados entre si.
Ambas despertaram forte preocupação no mercado de bets legais, segundo representantes do setor consultados pela reportagem.
O temor se dá porque quase todas as 85 empresas de apostas autorizadas, com autorização para ofertar mais de 180 sites, funcionaram no “mercado cinza”. E várias delas de forma similar, com parte das operações no Brasil e parte fora.
A Betnacional foi comprada pela irlandesa Flutter, a maior empresa de apostas online do mundo, em 2025. Segundo empresários do setor, uma negociação bilionária como essa pressupõe o cumprimento de uma série de medidas verificadoras sobre a legalidade do negócio. E caso a Receita e o MPF estejam certos sobre os desvios, os prognósticos para outras empresas de apostas que se destacaram no “mercado cinza” também seria desfavorável.
A NSX, controladora da Betnacional, afirmou que “conduz suas operações em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance, alinhadas aos padrões internacionais da Flutter Entertainment, grupo global do qual faz parte, listado na Bolsa de Nova York (NYSE) e com atuação em mais de 100 países”.



