
Por Igor Maciel/JC
O PSB de Pernambuco precisa ser reinventado e isso depende de 2024. Não existe futuro para o partido que foi propriedade inconteste de Miguel Arraes e Eduardo Campos, caso o herdeiro político do grupo, João Campos (PSB), perca a reeleição no ano que vem.
Manter a prefeitura da capital é condição indispensável. Ampliar ou, no mínimo, manter o número de prefeituras no interior também é essencial.
O problema dos socialistas é que a tendência é para um afastamento dos prefeitos do partido em direção às siglas de centro, mais alinhadas com as emendas distribuídas por deputados do centrão, conectados com Arthur Lira (PP) em Brasília.
Republicanos, PSD, PP, PL e União Brasil tendem a filiar muitos prefeitos que já estão com mandato. São grupos políticos que, nos municípios, já estão formalmente fortalecidos e podem se beneficiar ainda mais com as verbas que chegam do Congresso.
No caso do PL, ainda há o adendo bolsonarista/conservador, que servirá de boa vitrine em algumas cidades onde a votação da direita foi boa.
E por estar em um partido que, hoje, representa pouco no cenário nacional, porque o PSDB vive de um passado e não de um presente, Raquel Lyra não terá que trabalhar para filiar prefeitos ao ninho tucano. Basta que eles não fiquem no PSB e ela estará satisfeita.
Com esse cenário de dificuldade, o PSB parece estar contando com o apoio do PT e do governo federal só na prefeitura do Recife para resolver tudo. Seria uma solução relativamente fácil, não fosse difícil o problema.
O PT tem bases tão frágeis no interior que sempre precisou negociá-las num escambo precário ao invés de investir em candidaturas municipais.
E, para o PT, a ideia de se abraçar com o PSB no Recife, ainda como coadjuvante, numa eleição em que os socialistas tendem a sair menores do que em 2020, mesmo que ganhem na capital, não é auspicioso.
Os socialistas, nos bastidores, têm insinuado aos petistas que vão apoiar um candidato do partido para o governo em 2026, deixando João Campos para tentar o Palácio somente em 2030. Ninguém acredita.
Mesmo que fosse verdade, com Raquel disputando a reeleição de dentro do Palácio, se Humberto Costa (PT) garantir sua permanência no Senado já estará de bom tamanho.
Eduardo
Como o PSB pode se reinventar, então? Quando Eduardo Campos conseguiu fazer isso na última vez, Arraes ainda era um mito recente e o futuro governador soube aproveitar, em viagens constantes que fazia pelo Sertão do estado e pela Zona da Mata, principalmente.
Encontrava antigos aliados do avô e se apresentava. Mas, isso foi feito na estrada, comendo bode, literalmente. Um trabalho de formiguinha impressionante, de muita paciência e baseado nos objetivos que ele já desenhava para sua biografia.
Em paralelo, Eduardo usou a proximidade com o governo federal da época e a imagem de Lula. Essa força em outras regiões do estado serviu, por muitos anos, para as composições que eram feitas entre o PSB e partidos aliados.
O fato é que o movimento foi feito do oeste para o leste, do interior para a capital, e não o contrário. Exatamente para não melindrar o PT, que na época era imbatível no Recife. Esses capitais políticos se uniram depois.
No segundo turno da eleição de 2006, Eduardo ofereceu a influência que recuperou em outras regiões do estado para ser agregada à força do PT no Recife. E assim venceu Mendonça Filho (na época pelo PFL).
Em 2006, cada lado, PSB e PT, tinha uma peça do mapa que se encaixavam.
Agora, se nem o PSB e nem o PT interiorizarem suas ações partidárias nos próximos meses e ficarem ambos só no Recife, podem acabar protagonizando um “abraço de afogados”.
Serão dois partidos isolados e num casamento, marcado pelo pouco espaço para acomodar apoiadores, que só vai durar enquanto houver fidelidade mútua, coisa que é meio rara em política, ainda mais com as tentações da máquina estadual à porta.
Se João Campos quiser reinventar o PSB, tem que começar a mapear e buscar o que restou dos aliados fiéis que foram sendo abandonados, pouco a pouco, após a morte de Eduardo Campos.
Alguns abandonos estão em curso, outros são bem recentes. Não é tão difícil identificar.



