PERNINHA EM NOVA VERSÃO

Brasil, 3ª maior inflação entre as grandes economias

Por Danizete Siqueira de Lima

Segundo dados últimos apontados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa a 3ª posição no ranking dos países com maior inflação e isto é muito preocupante tanto para a nossa economia como para a economia dos nossos parceiros comerciais.

No conjunto de países do grupo G20 a taxa de inflação (nos últimos 12 meses) atingiu, em março, 7,9% contra 11,3 alcançado pelo Brasil.

Vejamos, a seguir, em ordem decrescente, as maiores do ranking:

  • Turquia – 61,1%
  • Argentina – 55,1%
  • Brasil – 11,3%
  • Estados Unidos – 8,5%
  • União Europeia – 7,8%
  • México – 7,5%
  • Alemanha – 7,3%
  • Canadá – 6,7%

A alta da inflação é uma preocupação global, mas a taxa registrada no Brasil permanece bem acima da média observada nas maiores economias do mundo. No relatório divulgado em 04 de abril pela organização supracitada observamos que a inflação acumulada em 12 meses no Brasil é a maior do G20 – grupo dos países mais ricos –, perdendo apenas para Turquia e Argentina.

Por aqui, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 11,3% no acumulado em 12 meses até março. Já são 7 meses seguidos com a inflação anual acima de dois dígitos. Segundo o IBGE, a inflação se espalha e afeta 8 em cada 10 itens pesquisados. Em apenas 5 anos, a nossa moeda perdeu 30% do seu poder de compra.

No conjunto de países da OCDE, que inclui todas as economias desenvolvidas e algumas emergentes, a inflação em 12 meses atingiu 8,8% em março, ante 7,8% em fevereiro – nível mais alto desde outubro de 1988. No grupo G20, a taxa ficou em 7,9%, contra 6,8% no mês anterior. No G7, passou para 7,1%, vindo de 6,3%.

Segundo o relatório, cerca de um quinto dos 38 integrantes da OCDE tiveram inflação de dois dígitos em março, sendo a mais alta a da Turquia (61,1%). Os únicos outros países da organização (mas que não estão entre as maiores economias) com taxa anual acima de 10% são Lituânia (15,7%), Estônia (15,2%), República Tcheca (12,7%), Letônia (11,5%), Polônia (11%) e Eslováquia (10,4%).

A OCDE destacou a forte pressão dos preços de energia, cuja inflação saltou 33,7% em 12 meses, maior elevação desde maio de 1980. Excluindo-se alimentos e energia, a inflação para o bloco de países do grupo foi de 5,9%.

Diante de números tão preocupantes a pergunta que fica no ar é: a inflação vai dar trégua?

Para tentar frear a inflação, os países têm acelerado e intensificado a alta das taxas básicas de juros. No Brasil, a expectativa do mercado financeiro, conforme reunião recente feita pelo BC com mais de 100 bancos, é de que a taxa Selic terminará 2022 no patamar de 13,25% ao ano. Com os últimos aumentos da taxa Selic, o Brasil retoma liderança do ranking mundial de juros reais.

O resultado da inflação oficial de abril divulgado pelo IBGE, no último dia 11, ficou em 1,06%. Puxada pela alta dos combustíveis, a prévia da inflação registrou a maior alta para o mês desde 1995, com a taxa no acumulado em 12 meses chegando a 12%.

Reportagem do G1 mostrou que a inflação além de mais elevada, também está mais espalhada, afetando 8 em cada 10 itens pesquisados pelo IBGE. O índice de difusão saltou para 78,7%, maior patamar já registrado para meses de abril e maior nível desde fevereiro de 2003, o que indica que a inflação deve continuar pressionada pelos próximos meses. A projeção atual do mercado financeiro é de uma inflação de 7,89% em 2022. No entanto, desde o ano passado, os analistas já preveem que o IPCA fechará pelo 2º ano seguido acima do teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.