Pesquisa apertada ao Senado dificulta acordo por vice de Fernando Haddad em São Paulo

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Sem uma diferença clara entre os ex-ministros do governo Lula na disputa ao Senado por São Paulo na mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira, o imbróglio na chapa de Fernando Haddad (PT) deve continuar por mais algum tempo. O ex-ministro da Fazenda procura convencer Marina Silva (Rede), que chefiava o Meio Ambiente, ou Márcio França (PSB), ex-titular do Empreendedorismo, a deixarem o pleito, considerado mais acessível neste momento do que o governo, para o qual a vaga de vice na chapa segue aberta.

Marina e França pontuaram os mesmos 12% nas intenções de voto quando testados ao lado de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, que marcou 14%. Os três aparecem em situação de empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nos bastidores, a principal aposta é pela permanência de Tebet e por um acordo com a dupla. Uma fonte próxima a Haddad diz que o candidato está conduzindo as conversas “muito pessoalmente” e ainda há tempo de sobra para concretizar a escolha, apesar do impasse e dos sinais de resistência.

O petista tem mencionado em entrevistas a possibilidade de contar com um dos integrantes do trio de ex-ministros na posição de vice, assim como a pecuarista Teresa Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, e de Marcelo Barbieri, ex-prefeito de Araraquara, ambos filiados ao PDT. Nesta quinta-feira, em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad disse que gostaria de concorrer ao lado de uma mulher, como em eleições anteriores, mas que ainda não fez o convite a ninguém.

— Não houve nem convite, nem recusa. O que há é conversa, para saber o que as pessoas pretendem. Não adianta querer que uma pessoa seja uma coisa quando ela quer outra. Do meu gosto, seria uma mulher a minha vice, declarou Haddad.

Seu coordenador da campanha, deputado estadual Emídio de Souza (PT), diz que França e Marina estão equilibrados nas pesquisas, mas pondera que esse é apenas “um elemento” na definição da chapa. Ele cita, por exemplo, o nível de rejeição, a perspectiva de crescimento na campanha e o próprio perfil de candidatura, aquilo que ela agrega. Ele também menciona a indefinição pelos lados do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O mais provável é que o aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro forme palanque ao lado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública, que aparece com 8% das intenções de voto ao Senado, e do presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual André do Prado (PL), apoiado por 5% neste momento. O deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro de Bolsonaro, marca 6% nas pesquisas, em uma candidatura independente do grupo.

França alegou que “não tende a ter disputa” entre os ex-ministros de Lula pela chance ao Senado porque “a lógica são quatro nomes para quatro vagas”, referindo-se à composição da chapa majoritária como um todo. Ainda de acordo com o ex-ministro, o presidente Lula seria “quem está com o apito”, comparando-o ao técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti. Ele já foi preterido no pleito contra Tarcísio, mas tem como entrave o fato de o PSB já estar representado por Tebet.

Marina comentou ontem a pesquisa da Quaest. Segundo ela, sempre é bom “sair bem na fotografia” e o levantamento demonstra “a força dos nomes do nosso campo” e a perspectiva de um “palanque forte” em São Paulo. Ela ressaltou ainda o fato de ser a candidata mais conhecida do eleitorado, com 29% dos entrevistados dizendo que conhece e poderia votar nela. Por outro lado, a ex-ministra também aparece com a maior rejeição, de 48%.