Petrópolis tem mais de 600 desabrigados, após novo temporal

Ônibus levados pela enxurrada em fevereiro, que deixou 233 mortos; cidade volta a ser castigada por temporais pouco mais de um mês após tragédia — Foto:  Márcia Foletto / Agência O Globo

O número de desabrigados em Petrópolis subiu para 643 depois do forte temporal que atingiu a cidade no último domingo (20). Eles estão sendo atendidos em pontos de apoio espalhados pelos bairros, onde já estavam vivendo cerca de 400 pessoas desde a última tragédia, em 15 de fevereiro.

O município serrano do Rio de Janeiro voltou a sofrer com as chuvas cerca de um mês após o maior desastre de sua história recente, que deixou 233 mortos e 4 desaparecidos. Dessa vez, foram 126 ocorrências registradas, 107 delas por deslizamentos.

Ao menos cinco pessoas morreram e quatro estão desaparecidas desde o fim de semana, segundo o Corpo de Bombeiros. Dois óbitos ocorreram no Alto da Serra, dois na região central e um no bairro Valparaíso. Trinta e quatro pessoas foram resgatadas com vida.

Em 24 horas, caíram 536 milímetros de água, mais que o dobro do acumulado no dia da tragédia (260 milímetros) – quando a chuva, porém, ficou concentrada em poucas horas. Era a marca mais alta desde o início das medições, em 1932.

O maior volume pluviométrico em dez horas durante a tarde e a noite de domingo ocorreu no bairro São Sebastião, com 415 milímetros, e também nas localidades Coronel Veiga (375 milímetros), Dr. Thouzet (364 milímetros) e Vila Felipe (337 milímetros).

Entre as áreas mais afetadas desta vez, estão também Alto da Serra e Chácara Flora, regiões que já haviam sido castigadas em 15 de fevereiro. Cruzes que foram fincadas na praça da Águia em homenagem às vítimas, quando o evento completou um mês, foram arrastadas.

Em razão das chuvas, a vacinação contra a covid-19 foi paralisada, e a Secretaria de Educação de Petrópolis decidiu suspender as aulas nas escolas e centros de educação infantil públicos e privados. Diversas ruas estão interditadas, e linhas de ônibus, interrompidas.

“Todas as pessoas estão recebendo o suporte da Secretaria de Assistência Social para o atendimento das necessidades essenciais e a Defesa Civil percorre todos os pontos de apoio para cadastrar os registros de ocorrências e realizar a vistoria dos imóveis”, afirmou a prefeitura.

​A tempestade também afetou as buscas voluntárias pelos desaparecidos no último desastre. O marceneiro Leandro da Rocha, 48, que tem liderado essas ações, diz que foi surpreendido quando voltava com três companheiros do rio Quitandinha, que transbordou novamente, alagando o Centro da cidade.

“Desceu água tudo de novo, a cidade está submersa. Eu estou ilhado aqui, consegui parar o carro num ponto mais alto. Muita chuva, muita água descendo de novo, coisas sendo carregadas. Estou aguardando isso tudo parar de novo, não sei o que vai ser. É difícil, tudo de novo, só Deus para nos ajudar mesmo”, afirmou.

Em nota, a Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros disseram que estão mobilizados para prevenir e minimizar os danos causados. “Em Petrópolis, cerca de 180 militares atuam na resposta às ocorrências provocadas pelas chuvas, com apoio das unidades especializadas, incluindo as equipes do Grupamento de Busca e Salvamento,