PL da Anistia: o bolsonarismo não gostou nada de post de Hugo Motta

Hugo Motta vai encarar semana dominada pelo embate em torno da anistia ao 8 de Janeiro na Câmara

Uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), supostamente sobre a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, tornou-se alvo de críticas nas redes sociais por aliados de Jair Bolsonaro.

Sem citar nominalmente o projeto de perdão aos condenados pelos ataques que tramita na Câmara, Motta afirmou que, numa democracia, as pautas legislativas devem ser discutidas pelo Colégio de Líderes, e não apenas por uma única figura.

Ele também reforçou a “responsabilidade” que parlamentares precisam ter no cargo e sinalizou preocupação com uma possível crise do Congresso com o Supremo Tribunal Federal (STF) — a Corte é a instância que tem julgado as tentativas de golpe de Estado no país.

“Democracia é discutir com o Colégio de Líderes as pautas que devem avançar. Em uma democracia, ninguém tem o direito de decidir nada sozinho. É preciso também ter responsabilidade com o cargo que ocupamos, pensando no que cada pauta significa para as instituições e para toda a população brasileira”, publicou Motta na última terça-feira (15).

Na última semana, a oposição bolsonarista anunciou já ter mais do que as 257 assinaturas necessárias para requerer urgência ao projeto de lei que concede anistia aos envolvidos no 8/1. Com o número atingido, aliados de Bolsonaro passaram a criticar Motta por supostamente atuar para barrar a tramitação do projeto ou mostrar pouca disposição para fazê-lo avançar.

Líder do PL faz ironia

Em resposta ao post de Motta, o líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), parabenizou, em tom de ironia, as declarações de Motta. “A verdadeira democracia se faz pelo processo legislativo — e não por decisões monocráticas de um só. O presidente da Câmara tem atribuições importantes, mas as grandes decisões sempre passam pelo Colégio de Líderes ou, mais ainda, pela vontade soberana da MAIORIA da Casa”, publicou o parlamentar, afirmando que o projeto da anistia tem o apoio necessário para votar a urgência. “O presidente da Câmara pode muito. Mas a MAIORIA dos deputados pode mais. Porque a democracia se constrói com respeito à maioria e à vontade do Parlamento”, cutucou o líder do PL.