Políticos armam para tomar Itamaraty de assalto

Diário do Poder

Já se percebia em Lisboa, novembro passado, durante mais um evento de turismo judiciário e parlamentar, a trama do Congresso para aparelhar politicamente a diplomacia. Chamou a atenção, durante recepção na residência da embaixada do Brasil em Portugal, senadores e deputados observando sua decoração, obras de arte, carros com motoristas. Todos babando de ambição. O tema das conversas era “capturar” os cargos da diplomacia, uma das poucas áreas protegidas de políticos oportunistas.

Paulo Azi (União-BA), presidente do conselho de ética da Câmara, que coisa, foi visto fazendo um tour pela residência oficial, com ar de dono.

Nesse clima de cobiça, citavam a PEC 34, de Alcolumbre et caterva, que os permite assumir embaixadas sem renunciar ao mandato.

“Claro, tem que ser sem perda de mandato”, salivava Aécio Neves, do PSDB, ex-presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Convidados à recepção observaram o deputado Domingos Neto (PSD-CE) fazendo pose de embaixador, fazendo piada. Já se via no cargo.