Ponte Giratória: Obras se arrastam, irritam a população e complicam a mobilidade no Centro do Recife

Por Roberta Soares/JC

Paciência, muita paciência e perseverança. Essas são as principais recomendações para motoristas, passageiros e motoqueiros que circulam pelo Centro do Recife e sofrem com as constantes retenções no trânsito provocadas, principalmente, pela interminável obra de recuperação da Ponte 12 de Setembro, conhecida como Ponte Giratória.

O equipamento, assim como todas as pontes que conectam a ilha que é o Bairro do Recife com os bairros de São José e Santo Antônio, no Centro da capital, é fundamental para o sistema viário da área central e, quando fechado, gera impactos severos, principalmente na mobilidade, mas também econômicos e sociais.

Basta circular para constatar a degradação econômica, social e ambiental do entorno da Ponte Giratória. Já são três anos  de interdição da ponte, inicialmente parcial em 2022 e desde 2023 total, para obras que nunca terminam e que se prolongam com a identificação de novas patologias estruturais do equipamento.

A última previsão dada pela Prefeitura do Recife, que não disponibilizou nenhum técnico ou gestor para conversar com o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), é importante destacar, para conclusão dos trabalhos e a tão esperada reabertura à circulação de veículos (além do acesso mais seguro para pedestres) é março de 2026. Exatamente dia 23 de março. Os trabalhos já representam investimentos na ordem de R$ 14,3 milhões e, segundo a gestão municipal, já alcançaram 80% de execução. Até lá, e se o prazo for cumprido, só resta à população ter paciência, de fato.

Enquanto a Ponte Giratória não é devolvida à cidade, a única alternativa para os condutores e passageiros que entram no Centro a partir da Zona Sul da cidade tem sido acessar o Bairro do Recife pela Ponte Maurício de Nassau, prolongando o percurso em pelo menos mais um quilômetro.

E, no caso do transporte público, o impacto é ainda maior: 34 linhas de ônibus que entravam no Centro ou faziam retorno pelo Bairro do Recife, por exemplo, estão, durante todos esses anos, tendo que realizar um longo desvio pelo Cais do Apolo. Quando há retenções, o que é frequente, esse retorno pode comprometer até 20 minutos da viagem dos coletivos.

É, de fato, um teste de paciência para motoristas e passageiros, que têm deixado muita gente insatisfeita. “Realmente, ficou muito complicado para quem precisa circular por essa área do centro da cidade. O percurso é maior e acontecem muitos engarrafamentos. Entendo a necessidade da obra, mas se a manutenção fosse feita com frequência, talvez não estivéssemos há tanto tempo sem o equipamento”, critica o servidor público Carlos Alencar, que trabalha no Bairro do Recife e tem vivenciado na pele os problemas do fechamento da ponte todos os dias.

Além da dificuldade de circulação na área central, a interdição da ponte para as obras também gera uma sensação de insegurança na área, onde já foram registrados diversos assaltos, principalmente na passagem para pedestres que foi criada pela Prefeitura do Recife.

O lamento da população se confirma nas ruas, com as retenções diárias enfrentadas nas principais vias da área central. Em 2023, diante da perspectiva de que a liberação ao tráfego na Ponte Giratória não aconteceria com brevidade – já que a patologia do equipamento já estava identificada e sendo investigada – a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) antecipou mudanças na circulação viária da área central. O novo Plano de Circulação do Centro do Recife buscou dar protagonismo viário à Avenida Dantas Barreto, principalmente como saída da área central para tentar aliviar a circulação com o fechamento da Ponte Giratória.

As mudanças começaram em outubro de 2024. A nova circulação teve como objetivo melhorar a conexão dos bairros centrais (São José, Santo Antônio e Bairro do Recife) com as Zonas Sul e Oeste da cidade. A Avenida Dantas Barreto teve o sentido de tráfego alterado entre a Avenida Nossa Senhora do Carmo e a Avenida Sul, passando de mão dupla para sentido único, na direção da Avenida Sul. E o trecho, que antes era reservado apenas para o transporte público (sete linhas de ônibus), passou a ser misto (com circulação de veículos particulares). A avenida ainda ganhou uma nova ciclofaixa de um quilômetro – que vive obstruída por carroças, comércio informal e muito, muito lixo, vale destacar – e, por isso, teve o limite de velocidade reduzido para 40 km/h, aumentando a segurança para pedestres e ciclistas.

Com as mudanças, os motoristas que chegam pela Avenida Sul, saídos da Zona Oeste, podem acessar a via local da Avenida Dantas Barreto em direção ao Centro, sem precisar utilizar o Cais de Santa Rita, como acontecia. A mudança permitiu uma nova conexão com a Avenida Nossa Senhora do Carmo e a Avenida Martins de Barros.