Prates ignora crise na Petrobras em 1º evento após fritura

Fotografia colorida de Jean Paul Prates.

Poder360

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, participou, nesta quinta-feira (11), de evento da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro). Foi a 1ª aparição pública de Prates desde que aumentaram as especulações de que ele seria demitido do cargo na estatal.

Em seu discurso, ele defendeu a margem equatorial, falou dos planos da Petrobras para a área internacional e sobre os blocos arrematados na Bacia de Pelotas (RS). Prates, no entanto, não comentou temas controversos, como a distribuição dos dividendos extras e as críticas que vem sofrendo de pessoas como Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia.

“Vocês estão vendo há um ano, nessa administração, claramente, o que estamos fazendo”, disse Prates.

Ele comentou sobre os indícios de petróleo descobertos pela Petrobras na bacia Potiguar, início da extensão territorial brasileira na Margem Equatorial. A empresa tem permissão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar operações exploratórias na bacia Potiguar desde setembro de 2023.

O órgão ambiental ainda não deu permissão para a estatal explorar a bacia da Foz do Amazonas, região mais próxima da Guiana, país que já encontrou grandes reservas de óleo.

“Fizemos uma avaliação pré-operacional e um teste simulado perfeito em Potiguar. Tem petróleo lá. Vamos enfrentar esse debate seriamente. Todos os requisitos do Ibama foram atendidos. Essa pode ser a última grande fronteira promissora de petróleo do Brasil. E isso é importante”, afirmou o presidente da estatal.

Prates também falou sobre os planos internacionais da Petrobras. “Vamos voltar a operar fora do Brasil. Precisamos fazer isso. Se não puder fazer na margem equatorial, temos de ir para Namíbia, Mauritânia. É o nosso ambiente, no Atlântico Sul. E ainda vai além da Argentina e Uruguai no offshore”, disse.

A fritura de Prates vem se intensificando dentro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sua demissão da Petrobras era dada como certa até o último domingo, mas ele ganhou uma sobrevida no cargo, depois de um pedido do presidente para pacificar a tensão. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também teve papel importante para baixar a fervura no impasse.

Em reunião com Lula, Haddad defendeu dar uma racionalidade ao imbróglio. Disse que não é positivo para a empresa mais importante do governo haver um embate público entre Prates e Alexandre Silveira.

Silveira nunca escondeu que não tem apreço pelo trabalho de Prates na Petrobras. Já fez críticas abertamente ao atual presidente da companhia. As restrições a Jean Paul não se limitam ao titular de Minas e Energia. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, também fez críticas à forma de Prates conduzir a Petrobras.

Senador até 2022, Jean Paul Prates também atuou nos bastidores. Fez contato com diversos colegas na Casa Alta e pediu apoio. Assim, senadores procuraram ministros e o governo.

O Poder360 apurou, no entanto, que a leitura feita é de que Prates está em banho-maria por falta de um substituto natural. Se não houver algum fato novo, o tema vai arrefecer.