Presidente da Fifa quer vender participações da Copa para familiar de Trump e outros investidores privados, diz jornal

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP

O Globo

A relação cada vez mais próxima entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, construída ao longo da Copa do Mundo de 2026 e marcada por polêmicas, entre elas as acusações de interferência do presidente para anular a suspensão de um jogador da seleção americana durante o torneio, ganhou um novo capítulo. Segundo o jornal The Times, Infantino estuda vender participações comerciais da Copa do Mundo a um grupo de investidores privados que inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior de Trump.

De acordo com a publicação, a proposta prevê a criação de uma empresa responsável por administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. O objetivo seria ampliar as receitas da Fifa e atrair capital privado para as principais competições da entidade.

Ainda segundo o The Times, Joshua Kushner é cotado para liderar o grupo de investidores interessado na operação. A aproximação entre Infantino e o entorno de Trump se intensificou durante o Mundial de 2026, realizado nos Estados Unidos, Canadá e México, período em que o dirigente da Fifa foi frequentemente visto ao lado do presidente americano.

A iniciativa também é apontada como um passo importante para o futuro de Infantino após o fim de seu atual mandato. O dirigente é favorito para ser reeleito em 2027 e, segundo o jornal, poderá assumir o comando da nova empresa quando deixar a presidência da Fifa, em 2031.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (28), a Fifa afirmou que a criação da companhia permitiria distribuir imediatamente US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações nacionais filiadas, além de aumentar as receitas dessas entidades nos próximos anos.

A proposta, porém, provocou reação imediata da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa). Em nota publicada nas redes sociais, a entidade europeia afirmou considerar a iniciativa “extremamente séria” e classificou a ideia como uma linha que “não deve ser ultrapassada”.

— A alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficiará dos ganhos financeiros. O futebol não pertence a ninguém; não cabe à Fifa vendê-lo, afirmou a Uefa.

Caso avance, o projeto representará uma das maiores mudanças já propostas na estrutura comercial da principal competição do futebol mundial, ao abrir espaço para a participação direta de investidores privados na administração dos ativos ligados à Copa do Mundo.