
O Metrô do Recife voltou ao centro do debate político neste início de semana. Enquanto o governo Lula conduz o processo que deve resultar na concessão do sistema à iniciativa privada, o PT de Pernambuco utilizou as redes sociais para compartilhar uma publicação contra a privatização do modal, evidenciando um contraste dentro do próprio campo governista.
Nos stories do Instagram, o partido reproduziu um card divulgado pelo deputado estadual João Paulo (PT), com a frase: “Contra a privatização do metrô do Recife. Compartilhe se você também é”. A publicação tem circulado entre militantes e simpatizantes do partido no estado.
Em agosto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou recentemente em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro que a transferência da gestão do metrô do Recife do governo federal para o Governo de Pernambuco seria assinada em poucas semanas. O repasse é visto como a etapa final antes do leilão de operação com a iniciativa privada.
Segundo o ministro, o objetivo é modernizar o sistema e melhorar a qualidade do serviço oferecido aos usuários. Rui Costa também declarou que todos os empregos serão mantidos e que o governo federal deve investir cerca de R$ 3 bilhões no modal antes da conclusão do processo de concessão.
Após a transferência definitiva da gestão para o Governo de Pernambuco, estão previstas as seguintes fases técnicas:
- Consulta pública;
- Avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU);
- Publicação do edital;
- Leilão;
- Assinatura do contrato.
O metrô do Recife transporta, atualmente, cerca de 138 mil passageiros por dia, somando as linhas Centro, Sul e Diesel.
Ao longo do ano, o Governo de Pernambuco reiterou que estuda, em conjunto com o governo federal, o formato ideal para requalificar o metrô. Em nota, a gestão estadual afirmou que busca garantir os investimentos necessários para que o sistema volte a oferecer um serviço adequado à população.
A governadora Raquel Lyra já declarou publicamente ser favorável à privatização, argumentando que o metrô opera de forma sucateada e com baixa qualidade, colocando em risco a mobilidade da Região Metropolitana.
O impasse expõe uma diferença de abordagem entre o discurso do PT local, historicamente contrário a privatizações, e a estratégia adotada pelo governo federal, que vê na concessão uma alternativa para recuperar o sistema, considerado caro e ineficiente.
Até o momento, o PT nacional não se pronunciou sobre a declaração do diretório estadual. O partido em Pernambuco também não detalhou se pretende apresentar uma proposta alternativa ao modelo defendido por Rui Costa.



