Quando mais imposto, sai caro para o próprio governo

RISCO RELEVANTE - Estatais: empréstimo de 12 bilhões de reais aos Correios

A chamada taxa das blusinhas começa a produzir uma daquelas contas difíceis de explicar. A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares arrecadou cerca de 2,1 bilhões de reais em seu primeiro ano de vigência. Ao mesmo tempo, uma das principais fontes de receita dos Correios desabou.

O faturamento da estatal com encomendas internacionais caiu de 4,43 bilhões de reais em 2023 para 1,34 bilhão de reais em 2025. A diferença, de aproximadamente 3,1 bilhões de reais por ano, supera o que o governo conseguiu arrecadar com a nova tributação em seus primeiros doze meses.

E a conta pública não para aí. O projeto de Orçamento de 2027 enviado pelo governo ao Congresso prevê um aporte de 6 bilhões de reais nos Correios, numa tentativa de reforçar as finanças da estatal depois de sucessivos prejuízos. Em outras palavras, o governo aumentou impostos sobre as remessas internacionais, arrecadou bilhões e agora prepara uma injeção de recursos ainda maior numa empresa pública fortemente atingida pelas mudanças nesse mercado.

É preciso fazer uma ressalva: não se pode atribuir toda a queda de receita dos Correios à taxa das blusinhas. A estatal também perdeu espaço para transportadoras privadas nas encomendas internacionais. A tributação, porém, reduziu a atratividade das compras de baixo valor e ajudou a transformar um negócio antes bilionário numa fonte bem menor de receitas.

O resultado é um curioso paradoxo fiscal. A nova cobrança trouxe mais receita tributária para a União, mas veio acompanhada de uma perda ainda maior numa estatal controlada pelo próprio governo. Agora, o próprio governo reservou outros 6 bilhões de reais para tentar ajudá-la a se recuperar.