Quem a PF ainda ouvirá antes de Toffoli decidir se devolverá caso Master à 1º instância

A Polícia Federal (PF) começará a tomar novos depoimentos de empresários envolvidos no caso Master, nesta segunda-feira (26). Ao todo, serão oito depoimentos, marcados para ocorrer no Supremo Tribunal Federal (STF), presencialmente e por videoconferência. As oitivas devem terminar na terça-feira (27).

No primeiro dia, falarão Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor financeiro do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Todos prestarão depoimento por videoconferência.

No segundo dia, serão ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco. Eles prestarão depoimento de forma presencial. Já Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master, falará por videoconferência.

Os depoimentos foram marcados a cada duas horas e deverão ser conduzidos por delegados que atuam no caso que apura supostas fraudes no Banco Master. O inquérito investiga possíveis crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa relacionados à venda de carteiras de crédito supostamente inexistentes ao Banco de Brasília (BRB).

O dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não serão ouvidos. Eles já participaram de uma primeira rodada de depoimentos em 30 de dezembro do ano passado. Na ocasião, eles também foram submetidos a uma acareação, procedimento que serve para contrastar versões conflitantes de um mesmo fato.

Oitivas concentradas por determinação de Toffoli

Os depoimentos aconteceriam ao longo de seis datas, de 23 a 28 de janeiro, mas, por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso, as oitivas tiveram de ser concentradas em dois dias. Toffoli justificou a necessidade de mudança no cronograma inicialmente proposto pela PF por limitações de pessoal e indisponibilidade de salas no STF.

Segundo apurou o Valor, Toffoli aguarda o resultado de novas diligências para decidir se devolverá as investigações à primeira instância do Judiciário. Antes de chegar ao Supremo por menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem direito ao foro especial, as apurações eram tocadas pela Justiça Federal de Brasília e São Paulo.

Fontes disseram à reportagem que Toffoli analisará se há menções a autoridades com foro. Se não houver, planeja devolver o inquérito à primeira instância. Apesar de citado, Bacelar não é formalmente investigado.

O parlamentar apareceu na investigação depois que foi apreendido, em um endereço ligado a Vorcaro, um envelope com o seu nome. O documento tratava de um negócio imobiliário. Na ocasião, Bacelar disse ao Valor que trabalhou com um fundo para a construção de um empreendimento em Trancoso, na Bahia, e que foi consultado pelo dono do Master sobre o imóvel, mas a operação não foi adiante.

Nos bastidores, a devolução das investigações à primeira instância passou a ser considerada uma forma de diluir as críticas à Toffoli. Os questionamentos sobre a atuação do ministro giram em torno da relação de familiares em um fundo de investimentos citado nas apurações, além da uma viagem com o advogado de um dos diretores do Master. Há críticas por parte de integrantes da PF e do Banco Central à atuação do magistrado.

Apesar do desconforto, Toffoli tem defendido publicamente que atua de forma regular no caso. A declaração foi feita por meio de nota emitida por seu gabinete no Supremo, depois que a PGR arquivou três pedidos de deputados da oposição para afastá-lo do caso.