
A cidade do Recife apresenta nível máximo de atenção para a falta de saneamento básico em escolas e para deficiências no esgotamento sanitário que atinge crianças e adolescentes. É o que apontam os dados que integram o “Painel Crianças e Meio Ambiente“, plataforma lançada nesta quinta-feira (23) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela organização Vital Strategies.
Na capital pernambucana, onde a população infantojuvenil representa 24,11% dos 1,6 milhão de habitantes, o diagnóstico apontou três áreas de alta prioridade que exigem intervenção imediata da gestão pública:
- Saneamento escolar: 8,96% das matrículas na educação básica estão em estabelecimentos sem infraestrutura sanitária completa.
- Coleta de esgoto: 6,49% das crianças e adolescentes vivem em domicílios com esgotamento sanitário inadequado.
- Resíduos domésticos: 0,56% do público infantojuvenil não conta com coleta adequada de lixo em casa.
O levantamento também acendeu o alerta médio de atenção em relação à infraestrutura verde: 66,39% dos estudantes recifenses estão em escolas sem áreas verdes. Além disso, 7,59% da população geral da cidade não possui acesso à água tratada.
Panorama no Nordeste e no país
O cenário identificado no Recife reflete vulnerabilidades observadas em toda a região Nordeste. Segundo o estudo, 49% dos municípios nordestinos registram alta prioridade no indicador de infraestrutura sanitária escolar, e 52% apresentam carência crítica de áreas verdes em estabelecimentos de ensino. Quanto ao esgotamento sanitário inadequado, a taxa atinge nível crítico em 55% das cidades da região.
No âmbito nacional, o painel avaliou 14 indicadores em 5.571 municípios brasileiros, distribuídos em quatro eixos: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura urbana. Ao todo, 333 cidades brasileiras apresentaram alta prioridade em 10 ou mais indicadores simultaneamente.
A plataforma busca orientar prefeituras na formulação de políticas de adaptação climática e mitigação de riscos, especialmente diante da iminência de novos episódios do fenômeno El Niño.



