
Funcionários dos Correios ameaçam entrar em greve depois de não chegarem a um acordo com a direção da estatal por reajustes e um benefício de fim de ano, conhecido como “vale-peru”. Além disso, eles reclamam de não ter havido nenhuma proposta de reajuste baseada na inflação, alegam não serem os culpados pela crise que a empresa atravessa e tampouco podem ser sacrificados por isso.
O chamado “vale peru” é um pagamento extra de R$ 2.500 para cada um dos 80.000 funcionários da estatal. Em 2024, a empresa gastou R$ 200 milhões com a rubrica, o que não deve se repetir neste ano. Os Correios enfrentam a maior crise da sua história.
Em reunião com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), nesta quinta-feira (11), os Correios propuseram manter o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que vence na segunda-feira (15), até 28 de fevereiro de 2026. A proposta, porém, não inclui as reivindicações dos trabalhadores, como ajuste de salário pela inflação e vale-refeição.
Uma assembleia foi marcada para a próxima terça-feira (16) para decidir sobre a possibilidade de paralisação. Marcos Sant’Aguida, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (Sintec-RJ), disse que os funcionários da empresa não podem sofrer pela crise provocada pela própria gestão da estatal.
“Vamos nos reunir com o nosso jurídico, diretoria e representantes sindicais para saber da posição e dos cenários para nos posicionarmos na assembleia, mas, a princípio, é inconcebível nós termos que sofrer perdas por algo que é a culpa da crise econômica que reside nas administrações desastrosas que geriram os Correios”, afirmou.
Os Correios têm prorrogado o ACT no momento em que a situação financeira da empresa se agrava. A estatal, que apresenta prejuízo de R$ 6,1 bilhões no acumulado até setembro, tenta fechar um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a bancos e com garantia do Tesouro Nacional. O aporte foi incluído no plano de reestruturação da empresa.





