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Por Lauro Jardim/O Globo
Em um de seus últimos atos como governador, Helder Barbalho (MDB) nomeou em 1º de abril, não é mentira, Ygor Suleiman Kawhage para presidir a Fundação Cultural do Estado do Pará. Entre outras tantas trocas feitas no fim do prazo de desincompatibilização, um detalhe não passou despercebido.
O nome de Kawhage, ainda que com erros de grafia, apareceu em um documento apreendido pela Polícia Federal durante uma operação que prendeu em março três pessoas em flagrante após um saque de R$ 500 mil em uma agência bancária. Um dos presos era assessor da Casa Civil do governo paraense e foi exonerado dias depois.
Outro detido na operação, Ronaldy Gomes, é sócio de uma empresa que possui R$ 3,8 milhões em contratos com a Fundação Cultural.
Na ação, a PF apreendeu uma folha com nomes de pessoas associadas a valores. Entre os citados, há quatro deputados federais da base de Barbalho. Ao lado dos nomes dos parlamentares, constam quantias que variam de R$ 100 mil a R$ 538 mil. Não há, no entanto, indicação a que esses montantes se referem e nem informações se eles são investigados.
O documento, escrito à mão, também menciona órgãos como a Secretaria de Turismo (Setur), e municípios como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, todos associados a valores.
Mesmo com o documento vindo à tona, Kawhage foi promovido na fundação. Até então, ganhava cerca de R$ 7 mil, segundo dados do portal da transparência. Agora, deve receber aproximadamente R$ 21 mil, referente ao salário pago ao presidente da fundação.
Questionada, a Fundação Cultural do Estado do Pará disse que Kawhage “não é parte, citado, investigado ou indiciado no inquérito em questão, tampouco há menção ao seu nome em relatórios oficiais da Polícia Federal”. Acrescentou que “reitera seu compromisso permanente com a transparência, a legalidade e a boa gestão pública e mantém-se sempre à disposição dos órgãos de controle”.
Barbalho renunciou um dia após a nomeação do novo presidente da instituição para concorrer ao Senado. Em seu lugar, assumiu a sua vice Hana Ghassan. Até o momento, não há indicação de que ela vá mexer no cargo.



