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Celebrar 200 anos de história é motivo de orgulho para qualquer veículo de comunicação. No Diário de Pernambuco, a festa já começou com pompa no Teatro Santa Isabel, no Recife, marcando oficialmente o início das comemorações do bicentenário do jornal.
Mas, enquanto convidados ilustres como João Campos e Raquel Lyra prestigiaram o evento, o clima fora do palco foi bem diferente. O Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope) decidiu se manifestar publicamente e deixou claro que, na visão do sindicato, não há muito o que comemorar.
Sinjope acusa o Diário de Pernambuco de desrespeitar profissionais
O Sinjope e a Fenaj divulgaram uma nota contundente, denunciando que profissionais ligados ao jornal estariam sem ter seus direitos garantidos. Segundo o texto, a festa contrasta com a realidade de quem constrói o Diário de Pernambuco diariamente.
A seguir, principais pontos destacados na nota:
- Demitidos não teriam recebido verbas rescisórias, incluindo férias e FGTS;
- Funcionários celetistas ainda na empresa estariam com salários em atraso;
- A redação funcionaria majoritariamente com jornalistas contratados como MEI;
- Profissionais sem acesso a direitos trabalhistas básicos, como 13º e horas extras;
- O sindicato classificou a situação como desrespeito e ameaça à dignidade da prática jornalística.
“Banquetes para convidados, exclusão para quem faz o jornal”
Na nota, o Sinjope afirma que a celebração perde sentido diante da falta de garantias salariais e trabalhistas. O texto sugere que o brilho da festa contrasta com o sofrimento de quem já foi demitido ou permanece trabalhando sob pressão.
A crítica é direta: enquanto o palco exibia grandeza, jornalistas ficaram com “migalhas e exclusão”.
Veja a nota na íntegra:
“Não me convidaram pra essa festa…
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à véspera do aniversário de 200 anos do Diário de Pernambuco, vem a público se solidarizar com as(os) funcionárias(os) e ex-funcionárias(os) deste jornal.
Ao contrário da suntuosidade da festa realizada pela empresa na última segunda-feira, no Teatro de Santa Isabel, no Recife, aquelas(es) que dedicaram e/ou ainda dedicam o seu trabalho para o jornal sair todos os dias não tiveram e/ou não têm os mínimos direitos garantidos.
A grande maioria das(os) que foram demitidas(os) em anos recentes não receberam sequer as verbas rescisórias (férias, saldo total e multa do FGTS e até salários atrasados), enquanto os poucos celetistas que restam na empresa estão com meses de salário abertos.
Há outros injustiçados e injustiçadas. A redação do jornal funciona quase que totalmente com profissionais contratados como microempreendedores individuais (MEIs). Assim, os jornalistas trabalham como celetistas, mas sem direito a horas extras, férias e 13º salário. Desrespeito e ameaça a dignidade da prática jornalística.
São a estas(es) todas(os) trabalhadoras(es) que nos unimos, por entendermos que toda data marcante, a exemplo dos 200 anos do Diário de Pernambuco, somente tem sentido quando se paga o justo e se garante os direitos às(aos) trabalhadoras(es).
Sem Justiça, o que continuaremos vendo são banquetes, exibicionismos e espetáculos para os convidados da festa e migalhas e exclusão para os verdadeiros responsáveis pelo jornal ter chegado aos dois séculos. Foi o que vimos nesta segunda-feira no Teatro de Santa Isabel e seus arredores.
Recife, novembro de 2025″.



