
O montante de subsídios suportados pelo conjunto dos consumidores a residências, comércios e indústrias que geram sua própria energia por painéis solares chegou a R$ 210,87 mensais por unidade consumidora no primeiro semestre deste ano. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que o valor representa aumento de 49,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando essa média era de R$ 140,93.
O fenômeno preocupa o governo, pois os incentivos a essa modalidade, usada principalmente pelas classes média e alta, são rateados nas contas de luz de todos os brasileiros e oneram principalmente os mais pobres. Além disso, o aumento da participação dessa modalidade na matriz elétrica gera instabilidades no sistema que podem levar a apagões.
Entre janeiro e junho deste ano, os subsídios à geração distribuída somaram R$ 10,15 bilhões, ou R$ 1,69 bilhão por mês. Até o último dia 06 de julho, 8,02 milhões de unidades consumidoras recebiam energia produzida por sistemas de geração distribuída, daí a média de R$ 210,87 por unidade consumidora. Os dados consideram informações do Subsidiômetro da Aneel e do Painel de Geração Distribuída, também abastecido pela agência reguladora.
A expansão dos subsídios reflete expansão dos painéis solares pelo país, o que vem preocupando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O órgão tem alertado para cenários de sobreoferta em horários de alta geração e baixo consumo, o que pode gerar apagões. Para reduzir os riscos causados pelo excesso de energia em períodos de baixo consumo, o ONS criou um plano emergencial que permite diminuir temporariamente a produção de usinas conectadas às redes de distribuição. Ele foi acionado pela primeira vez no feriado de Corpus Christi deste ano.
No espaço de um ano, o número de unidades consumidoras com painéis solares atendidas cresceu 17,8% (de 6,81 milhões para 8,02 milhões), enquanto o custo mensal dos subsídios suportado pelo universo geral de consumidores de energia aumentou 76,3% (de R$ 959,6 milhões para R$ 1,69 bilhão).



