
Por Naldinho Rodrigues*
Quem já ouviu falar em Dilermando dos Santos Reis ou simplesmente Dilermando Reis? Foi um dos mais importantes e influentes violonistas brasileiros. Além de instrumentista foi compositor, arranjador e professor de violão. Que nasceu em Guaratinguetá, estado de São Paulo em 22 de setembro de 1916. Terceiro dos 15 filhos de Francisco Reis e Dona Benedita, Dilermando começou seus estudos de violão ainda na infância com o pai.
Em 1931, aos 15 anos de idade, assistiu em sua cidade natal a um concerto de Levino da Conceição, famoso violonista cego mato-grossense que apresentou um repertório de composições próprias e músicas clássicas. No dia seguinte, ao ouvir Dilermando tocar, Levino ficou impressionado com a qualidade do jovem que já era considerado o melhor violonista de sua cidade e pediu aos pais do garoto permissão para que ele o acompanhasse em sua excursão, se comprometendo a ensinar técnicas violonistas e encaminhá-lo a vida artística.
Dilermando contou como foi o “duo” com Levino, que durou de cerca de dois anos: “no começo, eu estudava com o Levino, e ele, nos primeiros recitais, não me apresentava como aluno. Mas logo depois de três meses ele fazia a primeira parte e deixava a segunda para eu fazer”.
Em 1933, Dilermando chega ao Rio de Janeiro e logo começou a dar aulas em algumas lojas de instrumentos da época. Em muitas localidades brasileiras, especialmente no interior do país, Dilermando Reis é sinônimo de violão, com estilo proeminentemente seresteiro, com experiência na música clássica e popular, incluindo colaborações com artistas de nível, Dilermando personificou o violão brasileiro de forma integral como praticamente nenhum outro violonista, a ponto de retransformar clássicos como “Abismo de Rosas ou Gotas de Lágrimas” em novos clássicos, sendo por muitos consideradas suas próprias músicas, e não de Américo Jacomino ou Mozart Bicalho.
Ainda no de 1933, Dilermando conheceu João Pernambuco no Rio De Janeiro e logo começou a dar aulas em várias localidades, Dilermando foi convidado a participar de um programa de calouros na Rádio Guanabara. Em 1936, começou a trabalhar na Rádio Transmissora, onde se apresentava ao lado de Rogerio Guimarães. Com o salário que recebia, era o violonista mais bem pago do Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, participava de serenatas ao lado de grandes cantores como Francisco Alves e Silvio Caldas. Em seguida Dilermando começou a trabalhar na Rádio Clube do Brasil e formou uma das primeiras orquestras de violões que se tem noticia. Em 1941, gravou o primeiro disco, a valsa Noite de Lua e o Choro Magoado. E seguiu gravando vários outros LPs.
Dilermando Reis representou um estilo de tocar, de compor e de empunhar um instrumento de cordas mais popular do Brasil e faz parte do desenvolvimento do violão brasileiro no Século XX. Dilermando fez a dupla uma voz e um violão com Francisco Petrônio durante muito tempo e gravando vários discos.
Dilermando Reis faleceu em 02 de janeiro de 1977 no Rio de Janeiro, de edema pulmonar. Ao velório, compareceu a viúva do ex- presidente Juscelino Kubitschek, Sara acompanhada da filha e ex-aluna de Dilermando, Maristela, além de amigos. Dilermando foi enterrado no cemitério São Miguel em sua cidade natal. Dilermando deixou muitas obras musicais, como por exemplo: SONS DE CARRILHÕES…
*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.



