
Por Naldinho Rodrigues*
Reservamos a nossa homenagem de hoje para o cantor Balthazar Góes Neto. Balthazar carrega o nome do avô com orgulho, o mesmo orgulho que ele lamenta não ter tido o povo sergipano, que no lugar de homenagear seu avô com uma avenida, deram-lhe uma placa num beco, e o que é o pior, tentaram tirar-lhe o nome do beco.
Baltazar também é parente, não muito distante, de Lampião, o rei do cangaço. Os primeiros passos na carreira foram dados no colégio de Dona Maria, fazendo apresentações para os alunos e seus pais. O pai, que trabalhou a vida toda nos correios, tinha um violão que Baltazar arranhava notas, escondido do pai, aos cinco anos. É músico de ouvido, toca com domínio, mas seu maior recurso é mesmo a sua voz.
Foi cantando Orlando Dias, Carlos Alberto, Altemar Dutra, Silvinho, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e os próprios cantores regionais que ele aparecia como destaque aos oito anos, no programa “A noite é do cartaz sergipano”. Sua interpretação diferenciada dava indicação do que viria pela frente.
Foi preciso deixar Aracaju e partir para São Paulo, recebendo incentivos do irmão que o levava para participar de concursos e programas de Tv, um deles o “Ai vem às crianças”, do apresentador Durval de Souza. Um cômico da pesada. Baltazar percorreu o trajeto comum aos pretendentes do sucesso, cantando hora aqui, outra ali, mas sempre cantando.
Anos depois, no Rio de Janeiro, a namorada Sandra, filha de Raul Sampaio, fez a ponte que levaria Balthazar ao mundo do disco, é que Sandra pôde apresentar o namorado ao pai, e assim, não demorou muito, Raul descobriu o talento do rapaz para cantar. Mas Balthazar garante que foi ao nascer que sua vocação para cantar foi revelada, segundo ele ao chorar pela primeira vez, o médico lhe bateu no bumbum, no que ele respondeu cantando Sarah.
Com toda a predisposição para cantar, o esporte também, durante um bom período, povoou de sonhos e vitórias, a cabeça de Balthazar, principalmente quando a família mudou para o Rio, indo morar em frente ao Maracanã. Entregou-se a natação e por ela foi campeão em diversas modalidades.
Balthazar fala com muito carinho do amigo Raul Seixas, produtor do seu primeiro disco “Cartas de Amor”, que arrebentou nas vendagens com mais de um milhão de cópias. Baltazar tem orgulho da sua participação na história do Brasil. Como compositor, compôs, e cantou no festival de música do Exército Brasileiro, o hino “A Revolução de 64”. “Eu sou o único compositor histórico vivo, no Brasil. Eu sou o dono do hino A Revolução de 64. Reclama como patriota e artista.
Balthazar foi casado com a cantora Diana, ex do também cantor Odair José. Os dois moraram juntos por oito anos. Como pai, Balthazar só perde para Abraão, pois segundo seus cálculos, são mais de 26 filhos, apesar dos três oficiais. Baltazar lamenta não saber nada sobre um filho que teve com uma japonesa. Ela voltou para sua terra com o filho no ventre. Balthazar imagina que seu filho possa ser até um samurai.
Atualmente é casado com Marisa e continua apresentando shows, principalmente no Norte/Nordeste. Vive atualmente entre as cidades de Fortaleza e o Rio de Janeiro, onde também mantém um apartamento.
Balthazar nasceu no dia 05 de março de 1952. Tem 70 anos e vive muito bem gozando de uma grande e invejável saúde. E para recordar esse grande ídolo sergipano, escolhemos matar as saudades do seu primeiro sucesso que, segundo ele, quando nasceu foi logo gritando o nome: SARAH…
*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.



