
Por Naldinho Rodrigues*
Hoje vamos trazer as memórias de um grande intérprete chamado de Lindomar Cabral, mas com o nome artístico de Lindomar Castilho. Lindomar nasceu no então distrito de Santa Helena, pertencente à cidade de Rio Verde, em Goiás, em 21 de janeiro de 1940. Logo cedo mudou-se para Goiânia, entrou para a Faculdade de Direito e no ano de 1960 começou a trabalhar na Secretaria de Segurança Pública do estado, após ter prestado concurso público, deixando a faculdade no segundo ano do curso.
É um ex-cantor e instrumentista brasileiro, mais conhecido pela música-baião Chamarada e pelo bolero Você é Doida Demais, que se tornou conhecido no Brasil através da série Os Normais, da Rede Globo. Outros de seus sucessos foram: Eu amo a sua mãe, Eu vou rifar meu coração, Ébrio de amor, Coração vagabundo e o samba-canção Tudo tem a ver.
Sua entrada na música se deu através do convite feito pelo diretor musical da gravadora Copacabana, Diogo Mulero, que em uma reunião na casa do compositor e escritor Bariani Ortêncio ouviu Lindomar cantar. Mulero o convidou para gravar um disco e sugeriu que ele usasse como nome artístico Lindomar Castilho.
No final de 1962 Lindomar gravou seu primeiro álbum, intitulado Canções que não se Esquecem. O cantor logo construiu uma carreira sólida, cantando boleros e sambas-canções românticos, se tornando um dos maiores vendedores de disco no Brasil da década de 1970. Seus discos chegaram a ser lançados simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.
A carreira artística de Lindomar Castilho desmoronou quando ele e a paulista Eliane de Grammont se casaram, no dia 10 de março de 1979, dois anos depois de se conhecerem nos corredores da antiga gravadora RCA, em São Paulo. O cantor, na época, já era conhecido como o rei do bolero enquanto ela ainda ensaiava os primeiros passos de sua carreira. Antes de casar, os dois decidiram que ela não cantaria mais para se dedicar ao lar. O matrimônio fez, portanto, Eliane abandonar a carreira profissional para se dedicar unicamente ao lar e cuidar da filha Liliane de Grammont, fruto da união do casal.
Mas o casamento não durou muito tempo. Devido às agressões e ciúmes alimentados pelo alcoolismo de Lindomar, ela, aos 25 anos de idade, pediu a separação, o que Lindomar não aceitou de bom grado. Depois de separada, Eliane tentou retomar a carreira artística e começou a se apresentar com Carlos Randall, primo de Lindomar. Este, por sua vez, começou a desconfiar que os dois tinham um relacionamento amoroso, situação que só piorou quando também Randall se separou da mulher.
Três meses depois de separada, em 30 de março de 1981, quando cantava no Café Belle Époque, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Eliane levou cinco tiros pelas costas, sendo que um dos disparos feriu também Randall, que se apresentava com ela. A cantora faleceu e Randall posteriormente levou anos para se recuperar do ferimento.
Lindomar tentou fugir do local, mas foi contido por transeuntes. Acabou preso em flagrante e condenado a 12 anos de prisão por um júri popular em 23 de agosto de 1984. Depois de cumprir a pena, sendo seis anos em regime semiaberto, Lindomar Castilho ganhou a liberdade em 1996. Ainda enquanto preso da penitenciária goiana, gravou um disco com o título Muralhas da Solidão.
O último CD gravado pelo cantor foi Lindomar Castilho Ao Vivo, lançado pela Sony Music no ano 2000, no auge dos fenômenos musicais do brega e forró.
Atualmente, retirado da vida musical, Lindomar vive sozinho em Goiás. Em 2012, numa rara entrevista, então já com 72 anos de idade e diversos problemas de saúde, ele disse que “é um massacre isso. É lógico que eu me arrependo todos os dias. A gente comete coisas em momentos que está fora de si”.
E para devorar a saudade de uma das melhores vozes artísticas da música brasileira, vamos trazer a música: ÉBRIO DE AMOR.
*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.



