UM TOQUE DE SAUDADE

Por Naldinho Rodrigues*

O mês de abril sempre foi famoso em nosso calendário, principalmente por levar para a eternidade grandiosas riquezas de nossa música. No dia 16 de abril de 2018, nos deixava a brilhante Ivone Lara da Costa, mais conhecida como Dona Ivone Lara.

Foi uma cantora e compositora brasileira, conhecida como a rainha do samba e grande dama do samba. Ela foi a primeira mulher a assinar um samba-enredo e a fazer parte da ala de compositores de uma escola, Império Serrano. Formada em enfermagem e serviço social, consagrou-se como cantora e compositora, desempenhando importante papel como enfermeira na reforma psiquiátrica no Brasil, ao lado da médica Nise da Silveira, dedicando-se à essa atividade durante mais de trinta anos, antes de se aposentar e dedicar-se exclusivamente à carreira artística.

Em homenagem a Dona Ivone Lara, o dia 13 de abril foi instituído como dia nacional da mulher sambista. Dona Ivone Lara nasceu em 13 de abril de 1922, na rua voluntários da pátria, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Foi a primeira filha da união entre a costureira Emerentina Bento da Silva e João da Silva Lara. Paralelamente ao trabalho, ambos tinham intensa vida musical: ele era violonista de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos. Ela era ótima cantora e emprestava sua voz de soprano a ranchos carnavalescos tradicionais do Rio de Janeiro, como o Flor do Abacate e o Ameno Resedá.

Na enfermagem e serviço social, Ivone Lara foi uma profissional na área de saúde durante mais de trinta anos até se aposentar em 1977. Com a morte do pai, com menos de três anos de idade, e da mãe aos dezesseis, foi criada pelos tios e com eles aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba. Casou-se em 4 de dezembro de 1947 com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, com quem teve dois filhos, Alfredo e Odir. Seus maiores parceiros em composições foram Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira.

Em 1977, Dona Ivone Lara se aposentou da carreira como profissional da saúde e passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Maria Betânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paula Toller, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Roberta Sá e Marisa Monte. Dona Ivone também teve trabalhos como atriz, com participação em filmes, e foi a Tia Anastácia em especiais do programa Sítio do Pica-Pau Amarelo. Em 2012, foi homenageada pelo Império Serrano, no grupo de acesso, com o enredo Dona Ivone Lara: O enredo do meu samba.

Dona Ivone Lara morreu no dia 16 de abril de 2018 aos 96 anos, em consequência de um quadro de insuficiência cardiorrespiratória após permanecer internada por três dias no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, Rio de Janeiro.

O velório aconteceu na quadra do Império Serrano, sua escola de coração, em Madureira, na zona norte da cidade. O enterro de Dona Ivone aconteceu no cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro.

Dona Ivone Lara, a rainha e a grande dama do samba, deixou muita riqueza musical, mas a melhor, pelo menos a mais lembrada pelos brasileiros, é a música: SONHO MEU... (gravada na voz de Maria Betânia).

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.