
Por Malu Gaspar/O Globo
O União Brasil e o PP, que anunciaram no mês passado uma federação partidária a ser confirmada na Justiça, oficializaram nesta terça-feira (02) o rompimento com o governo Lula em um comunicado conjunto em Brasília. Os dois partidos determinaram que os ministros filiados deixem a Esplanada dos Ministérios em até 30 dias. Outros integrantes das siglas devem renunciar aos seus cargos de forma imediata.
O movimento já vinha sendo calculado há meses, mas ganhou força depois que o presidente Lula externou críticas ao presidente do União, Antonio Rueda, durante uma reunião ministerial e cobrou apoio dos ministros ligados ao Centrão. Até então, as legendas planejavam adotar uma definição apenas no ano que vem, às vésperas da definição das candidaturas.
O momento escolhido para o anúncio também guarda relação com o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). A federação tem orbitado em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como um dos potenciais herdeiros de Bolsonaro, o ex-presidente está inelegível até 2030.
[O movimento também acontece como resposta do futuro presidente da federação, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), às denúncias divulgadas pelo site ICL que apontam o suposto recebimento de propina do PCC por parte de Nogueira em um esquema desbaratado pela Polícia Federal (PF) na semana passada. De acordo com o portal, o relato foi oficializado em depoimento de uma testemunha anônima que teria ouvido a informação de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.]
O ultimato amplia a pressão sobre os ministros do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA), e dos Esportes, André Fufuca (PP-MA). Outras duas indicações atribuídas ao União Brasil, Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Francisco Sequeira (Comunicações), estão na cota do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), filiado a legenda. Góes está licenciado do PT e Sequeira, por sua vez, não tem filiação.
Como mostrou O Globo na semana passada, Sabino se reuniu com Lula e fez um último apelo a Antonio Rueda para permanecer do partido, mas teria ouvido do cacique que teria que se desfiliar do União Brasil para manter o cargo. Tanto o titular do Turismo quanto Fufuca são cotados para disputar o Senado em seus estados com o apoio do presidente da República.
Os dois partidos também mantêm indicações em diferentes estatais. O PP, por exemplo, tem o presidente da Caixa, Carlos Vieira. Nos bastidores, porém, a indicação é atribuída ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Não se sabe, porém, se o ultimato também valerá para os cargos menores.



