
A megaoperação policial que provocou 121 mortes no Rio de Janeiro segue repercutindo em todo o país, e as pesquisas começam a revelar o tamanho da divisão entre os brasileiros. Os dois levantamentos divulgados nesta semana, Datafolha e Atlas, apontam apoio majoritário à ação policial, mas com diferenças expressivas dependendo de quem é ouvido.
As abordagens, metodologias e perfis dos entrevistados ajudam a explicar por que os resultados não convergem em todos os pontos.
O que as duas pesquisas têm em comum
Apesar das diferenças, alguns pontos aparecem de forma alinhada nas duas análises:
- Maioria dos moradores do Rio aprova a operação;
- Apoio cresce entre determinados grupos sociais;
- Menor rejeição quando o entrevistado vive mais próximo da criminalidade;
- A ação é vista como resposta à expansão do Comando Vermelho.
Onde elas divergem
A pesquisa Atlas mostra índices de apoio muito mais elevados entre moradores de favelas, enquanto o Datafolha não fez esse recorte específico.
No caso do Datafolha, entre os moradores do Rio de Janeiro: 57% aprovam a megaoperação, 27% desaprovam e 2% não souberam responder.
Já na pesquisa Atlas, também entre os moradores da capital fluminense: 62,2% aprovam a ação, 34,2% desaprovam e 3,6% não souberam responder.
Moradores de favelas lideram apoio
Segundo o Atlas:
- 87,6% dos moradores de favelas do Rio aprovam a operação;
- 80,9% dos moradores de favelas no Brasil também são favoráveis;
Entre quem não vive em comunidades:
- No Rio: 55% a favor x 40,5% contra;
- No Brasil: 51,8% a favor x 45,4% contra.
Quanto mais próximo da violência diária, maior o apoio à ação policial.
Percepção sobre execução e vítimas
O Datafolha captou mais detalhes sobre a avaliação da ação:
- 48% dizem que foi muito bem executada;
- 50% acreditam que a maioria dos mortos eram criminosos;
- 31% afirmam que todos eram criminosos.
Já a pesquisa Atlas mediu impacto futuro na segurança:
- 34,4% acham que será muito positivo;
- 19,3% afirmam que será positivo;
- 17% dizem que será muito negativo.
Clima de medo e sensação de insegurança
O Atlas registrou um quadro de medo e piora da segurança na capital:
- 79,6% sentiram medo no dia da operação;
- 83,8% acham que a criminalidade está piorando no Rio;
- 64,8% dos moradores de favelas viram crimes nos últimos 3 meses.
Em contraste, no restante do Brasil:
- A maioria não testemunhou delitos recentemente (73,8%).
Isso sugere que a experiência direta com violência pesa na opinião.
Metodologias diferentes influenciam resultados
O levantamento do Datafolha entrevistou 626 eleitores por telefone, com margem de erro de 4 pontos percentuais, nos dias 30 e 31 de outubro.
Já a pesquisa do Atlas ouviu 1.089 pessoas adultas por meio de entrevistas online, com margem de erro de 3 pontos percentuais, entre os dias 29 e 30 de outubro.
Segundo os institutos, o formato de coleta influencia o perfil de quem responde e pode impactar a percepção registrada em cada pesquisa.
Conclusão
Os levantamentos mostram que:
- Existe um apoio significativo à megaoperação;
- Mas há maior rejeição entre jovens, renda mais alta e moradores fora das favelas;
- A distância da violência e o medo interferem diretamente nas respostas.
Apesar de diferentes leituras, os dois institutos captam um cenário semelhante: a operação ganhou respaldo expressivo, mas segue provocando um intenso debate na sociedade.



