Campanha de Lula faz freio de arrumação para a reta final

CNN Brasil

A decisão da campanha do presidente Lula (PT) de pelo menos considerar a possibilidade de participar do debate da Rede Globo na antevéspera do primeiro turno se insere no contexto do que o PT entende como um freio de arrumação nesta reta final.

A estratégia se baseia em dois eixos. O primeiro é comparar diretamente as propostas de Lula com as de outros candidatos, em especial as de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro.

Petistas querem expor ao eleitorado que o candidato do PL não tem propostas para o país e que as poucas que apresenta, como o modelo Bukele para a segurança pública, são ruins. A participação em um debate seria o palco ideal para fazer esse confronto de ideias.

O segundo eixo busca, por meio desse confronto de propostas, ampliar a conexão do presidente com o eleitor e se aproximar da vida real das ruas, algo que interlocutores do presidente consideram ter sido uma falha no início da campanha.

O exemplo citado é que, quando o Brasil discutia o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula ainda falava em soberania nacional, enquanto Flávio Bolsonaro, de forma acertada, segundo petistas, vinculava Alexandre de Moraes a Lula e, ao mesmo tempo, exibia um carrinho de supermercado para ilustrar a dificuldade do brasileiro médio em encher as prateleiras diante do alto custo de vida no país.

Nesse sentido, Lula e a coordenação da campanha querem se conectar mais com o eleitor, seja por meio de um debate ao vivo no qual seja possível fazer o confronto de ideias, seja por meio de propostas que apontem uma solução, por exemplo, justamente para o ponto que vem sendo explorado por Flávio.

A campanha inclusive designou a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, como porta-voz para tratar do tema e ajudar a explicar que o alto custo dos alimentos se deve a fatores externos ao governo, como a geopolítica e o clima, ressaltando, contudo, que há propostas na mesa para um eventual governo Lula 4 com o objetivo de conter a alta dos preços nos supermercados.

Na frente econômica, o porta-voz continua sendo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem buscado sinalizar especialmente aos agentes econômicos que deverá haver ajuste fiscal em um novo governo.

De modo geral, a campanha entende que a crise envolvendo Alexandre de Moraes não afetou Lula como se temia, pelo fato de o jogo, segundo petistas, ter sido reequilibrado após a exposição da conduta dita parcial de André Mendonça na condução do processo.

Ainda assim, a crise do STF é considerada página virada, e o foco agora é a aproximação com o eleitor e a vida real das pessoas para tentar vencer a eleição.