
Poder360
Ao final de 2025, o Brasil tinha 894.900 famílias recebendo ao menos 1 salário mínimo por mês em benefícios sociais. A informação é fruto de um cruzamento de milhões de dados públicos feito pela empresa DataBrasil. No final do ano passado, o salário mínimo líquido era de R$ 1.404,15.
O acúmulo desses benefícios pode ser feito de forma legal e ilegal. Como já mostrou este jornal digital, centenas de milhares de famílias têm ocultado vínculos familiares para receber esses estipêndios do governo pelo menos duas vezes em uma mesma residência.
Eram 259.800 núcleos familiares que recebiam de R$ 2.000 a R$ 2.785 em benefícios. Em outros 39.200 casos, o montante ultrapassava os R$ 2.786, cifra maior que a renda de metade dos trabalhadores formais do Brasil.
O levantamento considera como base o salário mínimo recebido de forma líquida em 2025 (R$ 1.404,15) para identificar os núcleos familiares que ganham mais com esse tipo de ajuda do Estado do que trabalhando.
Essas 894.900 mil famílias que recebem mais de 1 salário em auxílios são só uma parte do todo. Há muitos Estados e cidades que não entregam os dados completos de beneficiários. O número real é muito maior do que esse.
Não entram na conta também as pessoas que não estão mais em idade ativa para o trabalho, seja por declararem doença grave ou por serem idosos e estarem incapacitados para atividades econômicas.
Exemplos de fraudes
A DataBrasil encontrou dezenas de milhares de indícios de fraudes em auxílios. Alguns desses casos no Portal da Transparência.
O acúmulo de benefícios de forma ilegal é uma das irregularidades mais comuns. Cadastros feitos em cidades distintas e alterações no CPF e no Número de Identificação Social (NIS), permitem a duplicação de cadastros.
O acúmulo de benefícios de forma ilegal é uma das irregularidades mais comuns. Cadastros feitos em cidades distintas e alterações no CPF e no NIS permitem a duplicação de cadastros.
Há também centenas de casos de acúmulos de bolsas estudantis com benefícios federais que levam os recebimentos quase sempre para acima do valor do salário mínimo.
Um beneficiário de Goiatins (TO), por exemplo, recebe o Bolsa Família (R$ 700), o Pé-de-Meia (R$ 200), uma bolsa de ensino superior (R$ 700), uma bolsa permanência (R$ 1.400) e ainda é funcionário do estado, tendo recebido salário líquido de R$ 1.404,15 para esse cargo em agosto de 2025.
Outro exemplo é de uma estudante da Universidade de Brasília (UnB) que recebeu R$ 1.400 por mês de auxílio permanência da instituição no fim do ano passado e também outros R$ 650 do Bolsa Família. Não há formalmente uma ilegalidade nesse caso porque não se sabe exatamente como é essa composição familiar.
Essas fraudes aumentam o gasto público sem necessariamente diminuir a pobreza. Pode haver casos em que famílias recebem vários benefícios de forma irregular enquanto outras, ainda mais necessitadas, ficam na fila esperando liberação.











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