Com quase R$ 10 bilhões, Raquel Lyra tem chance de mudar perfil de investimentos públicos no Estado até 2026

Governadora Raquel Lyra tem possibilidade de fazer um grande pacote de investimentos em Pernambuco.

Um e-mail curto, da Secretaria do Tesouro Nacional, com apenas um parágrafo informou ao secretário da Fazenda, Wilson de Paula que “Diante do exposto, conclui-se, preliminarmente, pela classificação de capacidade de pagamento “B+” e pelo cumprimento de todas as metas para fins de adimplência e pelo descumprimento da meta 1 e cumprimento das metas 2 e 3 para fins de bonificação do espaço fiscal do Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal.

O texto diz ainda que “caso haja discordância, pode-se avaliar a interposição de recurso acerca dos resultados apresentados nas seções anteriores no prazo de dez dias contados do seu recebimento”.

Discordância zero. O Governo de Pernambuco estava comemorando a devolução da condição de estado adimplente e resgatando a capacidade de ir ao mercado financeiro tomar empréstimos com aval da União para seus projetos turbinando as ações da governadora até 2026.

Somados aos R$ 3,4 bilhões que ela contratou, ano passado, graças a condição de Capag B, em 2022, mais os R$ 3,4 do Novo Banco de Desenvolvimento, que está em análise na Assembleia Legislativa e mais R$ 2,9 bilhões que a volta do Capag B lhe autoriza para 2025. Assim, a governadora terá no caixa apenas nessas três operações quase R$10 bilhões (R$ 9,7 bilhões) de dinheiro suficiente para fazer um robusto pacote de investimentos como desde o governo de Eduardo Campos, não se via no Estado.

Mas a condição de poder contratar esse dinheiro embute a história de um grave risco que ela e sua equipe correram quando viram as contas do balanço de 2022 – que seriam a base da manutenção do Capag B para 2024 – e que degringolou de um jeito que até agora não se sabe fez parte de uma estratégia do seu antecessor em criar problemas para ela já no primeiro ano de gestão. Ou se foi mesmo um “libera geral” das despesas que acabaram fazendo Pernambuco fechar as contas do exercício com um rombo de R$ 500 milhões.

Agora, com o selo de Capag B para 2025, a governadora pode observar de longe o risco que seu governo correria se a equipe não fosse capaz de aproveitar a condição de Capag B de 2023 para fazer empréstimos de R$ 3,4 bilhões, enquanto cuidava de escrever os projetos.

Se ela não conseguisse tomar os empréstimos em 2023, todo o governo estaria comprometido já que apenas ano que vem é que poderia voltar ao mercado de crédito.

Ela costuma dizer que viajou, em 2023, mais de 509 vezes a Brasília sem revelar que metade disso foi percorrendo gabinetes para assinar os empréstimos cujo dinheiro deve começar a gastar, de fato, este ano. Isso a levou a pegar empréstimos na Caixa Econômica e no Banco do Brasil de modo a assinar os contratos até o último dia do ano.