Criadores denunciam calamidade com infestação da mosca do estábulo na Zona da Mata Sul de Pernambuco

Blog Ricardo Antunes

Uma verdadeira calamidade atinge produtores rurais na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Criadores de gado e cavalos denunciam a infestação da chamada mosca do estábulo, que se multiplica a partir da “cama de frango”, um subproduto da produção de aves, muito usada como adubo no plantio de banana, cará e inhame. O problema afeta municípios como Barra de Guabiraba, Sairé e o distrito de Uruçu Mirim, em Gravatá.

Vídeos recebidos pelo blog mostram a gravidade da situação. Em uma das imagens, um bezerro aparece morto, coberto pelas moscas. “Mosca da desgraça. Olha”, lamenta um produtor. Em outra cena, um homem a cavalo exibe a perna tomada pelos insetos: “Olha, parece um enxame de abelha. Virgem nossa senhora”.

O empresário Mário Gouveia, de Sairé, diz que o problema é antigo. “A região inteira é prejudicada. Tem muita plantação de cará, então dá muita mosca, que inclusive também pica os seres humanos. É bem complicado”, desabafou. “Precisamos do apoio do governo do Estado para resolver essa calamidade que todo ano se repete”, lamenta.

O produtor rural João Tavares reforça a gravidade da situação e aponta o uso da cama de frango como raiz do problema. “Esse problema atinge Barra, Cortês, Sairé, Gravatá e vários outros municípios. A cama de frango é um excelente adubo, mas como não é compostada, acaba atraindo a mosca do estábulo, que ataca bois, cavalos, cães, gatos e até seres humanos. Sem fiscalização da Adagro e com o interesse de grandes grupos em vender esse material, a praga segue sem controle. Quem perde somos todos nós”, afirmou.

Especialistas alertam que o risco não é apenas para os animais. A mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) também pode prejudicar a saúde humana. Suas picadas são dolorosas e, além do incômodo, o inseto pode atuar como vetor mecânico de doenças, transmitindo bactérias, vírus e parasitas ao pousar em fezes, urina ou matéria orgânica em decomposição e depois em pessoas ou alimentos. Isso pode causar gastroenterites, infecções intestinais, casos de miíase e até outras doenças. Os sintomas incluem diarreia, dor abdominal, febre e vômitos.

Os moradores pedem ação urgente do Governo do Estado, Ministério Público, criadores e da Agência de Defesa Agropecuária para controlar a praga, que além de causar a morte de animais, também traz riscos sérios à saúde da população.