Distribuição garante abastecimento nos postos em meio à pressão global

Abastecimento em posto de combustível: resiliência logística diante das adversidades do cenário internacional | Francesco Sgura (via Shutterstock) – 18.abr.2026

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a consequente volatilidade nos preços internacionais do petróleo recolocaram a segurança energética no centro do debate econômico brasileiro.

Com o país dependente da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o centro do debate mudou de endereço: saiu temporariamente da discussão sobre os fatores internacionais e passou a mirar diretamente os postos e a distribuição, como se as margens desses intermediários fossem as únicas responsáveis pela alta dos preços.

Setores técnicos criticam essa abordagem, na qual fica em evidência a ponta final de uma longa cadeia e é ignorada que a verdadeira discussão deveria ser sobre a resiliência da infraestrutura logística e os custos estruturais de produção e tributação, cujo peso na composição do valor final é maior.

Enquanto o governo se concentra nos preços finais praticados na bomba, agentes do setor e economistas alertam: a verdadeira garantia contra o desabastecimento em um país de dimensões continentais reside na malha logística nacional.

“O consumo é disperso em um território continental, enquanto a produção e o refino estão concentrados em poucos polos. Isso exige uma operação sofisticada de armazenagem, transporte e gestão de estoques”, afirmou o diretor da LCA Consultoria, Gustavo Madi.

Na prática, a estrutura de distribuição cumpre o papel de amortecer os choques de oferta, conectando refinarias, importadores privados, terminais portuários e usinas de biocombustíveis a postos espalhados por mais de 5.500 municípios.

O Brasil tem, atualmente, 17 refinarias em operação. No entanto, o parque de refino nacional não acompanha integralmente o perfil de consumo do mercado brasileiro. A Petrobras lidera a oferta interna, mas a complementariedade feita por importadores e agentes privados segue desempenhando papel central para evitar o desabastecimento físico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“O conceito de autossuficiência costuma ser associado apenas ao volume produzido de petróleo, mas isso não significa independência total em derivados”, disse David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e atual presidente do Conselho de Administração do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).

Segundo ele, a dependência externa impede que o mercado brasileiro fique isolado das oscilações internacionais. “Em um ambiente de pressão geopolítica e volatilidade cambial, os preços refletem no petróleo, dólar, custos de importação, tributos e logística”.