
Após quatro fases e centenas de aparelhos eletrônicos analisados, a Polícia Federal (PF) chegou de vez à classe política no âmbito das investigações do caso Master e suas ligações em relação às fraudes bilionárias alvos de inquéritos.
Até então sem nome ou rosto da “lista de autoridades com foro privilegiado”, a investigação imprimiu em Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e presidente do Partido Progressistas (PP), o que seriam as ligações de Daniel Vorcaro com o Congresso Nacional. Pelo menos, até aqui.
Nas últimas quatro fases, foram alvos o próprio ex-banqueiro Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, e pessoas ligadas a ele e ao sistema financeiro. No mês passado, por exemplo, em um avanço do caso, a investigação levou à prisão preventiva Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Dessa vez, a PF diz que Ciro Nogueira usou seu mandato para defender os interesses de Vorcaro, até teria recebido um envelope marrom com uma emenda a um projeto escrita pelo Master para que ele apresentasse. Seria o trecho que previa aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, dessa forma, beneficiar o Banco Master.
A defesa do senador nega qualquer ilegalidade. Aponta que são “meras conversas de terceiros” ao se referir às mensagens de Vorcaro com seu primo, Felipe Vorcaro, que questionou de quanto seria o pagamento ao parlamentar: “500k ou 300k?”.
Ciro Nogueira agora é formalmente investigado e o primeiro político alvo das buscas no caso Master. Ele teve bens apreendidos e o celular passará por análise dos investigadores, que acreditam encontrar, no aparelho, conteúdo que avance ainda mais sobre as fraudes financeiras, que é o foco do inquérito.
Além dele, outros políticos são citados na investigação, e a PF tenta fechar a lista de todos para enviar um relatório ao ministro André Mendonça, que cobrou o levantamento.
A proposta de delação entregue pela defesa de Vorcaro nesta semana também relata políticos, do centro, esquerda e direita, em reuniões e viagens. O conteúdo por completo, ainda sob sigilo, começou a ser verificado pelos investigadores.
Relembre as fases e principais alvos do caso Master:
- 1ª fase, em novembro: prisão de Vorcaro;
- 2ª fase, em janeiro: buscas contra Fabiano Zettel, Felipe Vorcaro e Nelson Tanure;
- 3ª fase, em março: prisões de Vorcaro, Zettel e “Sicário”;
- 4ª fase, em abril: prisão de Paulo Henrique Costa;
- 5ª fase, em maio: prisão do primo de Vorcaro e busca contra Ciro Nogueira.





