
O PT teme que uma eventual rejeição da proposta de delação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, leve a vazamentos seletivos de trechos da colaboração. A avaliação na sigla é que o ex-banqueiro não apresentará provas suficientes para sustentar as acusações e terá o acordo recusado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O receio é que, caso a proposta seja rejeitada, trechos da delação passem a ser usados politicamente por meio de vazamentos à imprensa. O alerta tem sido feito por advogados à cúpula do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio às incertezas sobre o avanço de um possível acordo de Vorcaro.
A defesa de Vorcaro entregou na tarde da última terça-feira a proposta de delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação que apura as fraudes financeiras do Banco Master.
O dono do Master narra datas, horários e cidades sobre encontros, reuniões, festas e viagens com políticos. Segundo interlocutores com acesso às informações, há citações a políticos de direita, de esquerda, mas principalmente de centro na proposta de delação.
A preocupação no PT é com o quanto a delação de Vorcaro citará integrantes da sigla na Bahia. O dono do Banco Master era sócio do empresário Augusto Lima, que tem histórico com governos petistas no estado.
O receio é que eventuais detalhes da relação de Lima com petistas, na versão de Vorcaro, sejam divulgados sem provas, dando origem a uma exploração política em pleno ano eleitoral.
A cúpula do PT tem defendido que a pré-campanha de Lula não fique acuada diante do Caso Master e enfrente o tema da corrupção, considerado sensível para a sigla diante de desgastes históricos como o Mensalão e a Lava Jato. Na visão de integrantes do partido, a melhor estratégia é sustentar que as investigações envolvendo o Banco Master e o INSS avançaram no governo Lula.





