
Por Igor Maciel/JC
A nova pesquisa Quaest sobre a eleição de Pernambuco será divulgada nesta quarta-feira (23) e, como sempre acontece, a primeira disputa começará antes mesmo da análise. Cada campanha tentará escolher o número que melhor sirva à sua versão dos fatos. Raquel Lyra vai procurar mostrar que continua na frente. João Campos tentará encontrar sinais de reação.
Para o eleitor, porém, haverá dois dados realmente mais importantes. Um, que não é novidade, mostra em quem os pernambucanos pretendem votar. Mas o outro, este essencial agora, revelará quantos ainda admitem mudar de opinião.
Na rodada divulgada em 08 de setembro, Raquel apareceu com 43% das intenções de voto e João com 37%. A diferença era de seis pontos. Esse será o ponto de partida para medir qualquer movimento na quarta-feira. Será preciso observar se a governadora manteve a vantagem, se o socialista conseguiu reduzi-la e de onde veio uma eventual mudança.
Crescer dois pontos enquanto o adversário permanece estável produz uma situação. Avançar porque o adversário caiu produz outra. Também é possível que os dois cresçam com a redução dos indecisos ou com a perda de espaço dos candidatos menores. O número isolado informa pouco quando não se identifica o movimento que o produziu.
Há um segundo dado que merece tanta atenção quanto o percentual de cada candidato. Na pesquisa anterior, 76% dos entrevistados afirmaram que o voto já estava definido. Outros 23% disseram que ainda poderiam mudar.
Duas semanas antes, o grupo dos decididos correspondia a 72%. Houve, portanto, um crescimento de quatro pontos no número de eleitores que consideravam encerrada a própria escolha. A campanha avançava e as portas começavam a se fechar.
A Quaest desta quarta-feira mostrará se esse movimento continuou. Se o percentual dos decididos subir novamente, a margem disponível para uma alteração relevante ficará menor, faltando pouquíssimo tempo para a urna. Uma eventual manutenção da liderança de Raquel, acompanhada de nova alta na firmeza do voto, tornará a situação de João mais difícil. Ele continuará atrás e terá menos eleitores dispostos a ouvir seus argumentos.
Para quem lidera, o tempo consolida. Para quem está atrás, o tempo encurta.
Se o percentual dos decididos permanecer próximo dos 76%, haverá estabilidade também nesse aspecto. Cerca de um quarto do eleitorado continuará admitindo alguma possibilidade de mudança. É uma parcela relevante numa eleição apertada, mas não representa um estoque de votos à espera de João Campos.
Entre os 23% que admitiam mudar na pesquisa anterior estão eleitores de Raquel, de João e dos demais candidatos. Dizer que pode rever o voto também não significa que o eleitor esteja inclinado a fazê-lo. A campanha precisa transformar uma possibilidade declarada em mudança efetiva. Até isso acontecer, voto volátil continua sendo voto contabilizado para alguém.
Uma queda no número dos decididos produziria o cenário mais incerto. Significaria que a reta final, os ataques, os debates ou os fatos recentes aumentaram as dúvidas do eleitorado. Ainda assim, seria necessário descobrir onde essa insegurança apareceu. Raquel pode perder firmeza sem perder votos imediatamente. João pode crescer com apoios que ainda não estejam consolidados. A dúvida abre uma porta, mas não escolhe quem passará por ela.
A proximidade da votação muda o peso dessas informações. Uma diferença de seis pontos no começo da campanha permitia muitas hipóteses. A mesma distância a poucos dias da urna impõe uma dificuldade maior a quem precisa superá-la.
Na quarta-feira, o percentual de Raquel e João mostrará o tamanho de cada candidatura. O índice dos eleitores decididos mostrará quanto espaço ainda existe para alterar essa relação. Se a liderança permanecer e o voto estiver mais consolidado, o relógio eleitoral trabalhará para Raquel. Se a distância diminuir e a parcela aberta à mudança continuar relevante, João terá encontrado algum oxigênio.
O primeiro número dirá quem está na frente. O segundo mostrará se ainda há gente suficiente disposta a mudar essa ordem.



