O que se sabe sobre operação da PF que prendeu suspeitos de ataques bilionários contra bancos

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Estadão

A Polícia Federal prendeu na última sexta-feira (12), oito suspeitos de ataques hackers contra instituições financeiras. Segundo as investigações, a organização criminosa, que já se apossou de quase R$ 1,2 bilhão a partir das invasões, pretendia atacar a Caixa Econômica Federal, o que afetaria recursos para programas do governo federal e outros créditos do orçamento público, mas a ação foi barrada.

O grupo detido nessa sexta nega as acusações. Antes da prisão dos oito suspeitos nessa sexta, a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (Deleciber) da PF já havia detido quatro pessoas por suspeita de participação nos ataques.

Desde 30 de junho, a organização criminosa agiu em duas ocasiões. As invasões atingiram contas de liquidação interbancária, as contas PI, em que são depositados valores de reserva para a intermediação de pagamentos entre instituições financeiras.

O primeiro ataque foi contra a C&M, prestadora de serviços credenciada pelo Banco Central. O maior prejuízo foi o do Banco BMP, que sofreu perda de R$ 479 milhões.

O segundo ataque aconteceu contra a Sinqia, outra credenciada pelo Banco Central. Foram desviados R$ 710 milhões, dos quais R$ 583 milhões foram bloqueados pelo BC. O maior prejudicado, nessa vez, foi o Banco HSBC.

A quadrilha teria cooptado pelo menos um funcionário da Caixa, que lhe permitiu o acesso ao sistema do banco. Na sexta-feira, a PF foi avisada por um gerente da Caixa de que um grupo de pessoas obteria credenciais para acesso externo ao sistema do banco em uma agência no Brás, na região central de São Paulo.

Conforme as investigações da PF, os suspeitos eram pessoas que se identificavam como SETHH 7, RBS e BA. Eles seriam os responsáveis pelos furtos bilionários em contas mantidas pelo Banco Central, no setor chamado Arranjo de Pagamento Instantâneo.

Ainda no dia 12 de setembro, segundo a investigação, com o intuito de viabilizar o furto de recursos, “houve o comparecimento de pessoas para subtração da máquina à agência da Caixa”. Uma equipe da Polícia Federal foi ao local e acompanhou a “subtração de um notebook”.

Segundo a investigação, o notebook foi levado de carro pelos acusados Fernando Vieira da Silva e Guilherme Marques Peixoto. Antes de serem detidos pelos policiais, eles passaram o aparelho para os ocupantes de outro veículo, que foi seguido pela PF até uma casa em Cidade Patriarca, zona leste paulistana.

A PF recuperou o computador, que estava ligado e pronto para iniciar o ataque. Na operação, que também apreendeu celulares e outros computadores, os policiais detiveram José Elvis dos Santos, Klaiton Leandro Matos de Paulo, Maicon de Souza Ribeiro Rocha, Marcos Vinícius dos Santos, Nicollas Gabriel Pytlak e Rafael Alves Loia.

As defesas dos suspeitos não foram localizadas pela reportagem.