
A busca pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Pernambuco atingiu patamares históricos no início de 2026. Nos primeiros quatro meses do ano, o Estado registrou o início de 80 mil novos processos de primeira habilitação, um volume impressionante que já se aproxima do total contabilizado durante todo o ano de 2025.
A procura é atribuída às recentes mudanças promovidas pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) por meio do programa CNH Brasil, que flexibilizou a formação dos condutores brasileiros sob o argumento de democratizar o acesso à habilitação ao reduzir drasticamente os custos e a complexidade das etapas.
O aumento na demanda, que chegou a ser dez vezes maior do que o volume habitual quando analisado apenas o início do processo diretamente no aplicativo CNH do Brasil, chegou a gerar, inclusive, um congestionamento no sistema estadual.
Para lidar com esse cenário, o novo presidente do Detran-PE, Renato Hayashi, destacou que o órgão está operando no limite de sua capacidade, contando com apenas 1.157 servidores ativos e sem a realização de concursos públicos há anos. Como medida paliativa, o departamento ampliou o horário de atendimento e passou a realizar exames práticos aos sábados.
Mesmo diante da pressão por agilidade diante do aumento da demanda, o Detran-PE está mantendo uma postura rígida quanto à segurança nas provas práticas. Apesar de a Senatran ter sinalizado a possibilidade de uso de carros particulares nos testes, o órgão estadual está exigindo, e pretendo manter a exigência, o uso de veículos com duplo comando (freio e embreagem auxiliar para o instrutor/examinador) nas provas práticas.
“O carro particular sem esse duplo comando é um risco de morte para o candidato, para o examinador e para a sociedade. Por isso, estamos exigindo e vamos manter a obrigatoriedade. Tanto para as provas com carros de autoescola, como é atualmente, quanto para os carros particulares, uso que iremos liberar em breve”, afirmou Renato Hayashi, lembrando que a prova prática no Detran-PE agora é mista, incluindo um percurso obrigatório em via pública, no trânsito real.
O novo presidente do Detran-PE lembrou que as novas diretrizes nacionais transformaram o processo de formação: a obrigatoriedade de aulas teóricas presenciais foi substituída por cursos via aplicativo e a carga horária de aulas práticas foi reduzida de 20 horas para apenas duas horas. No entanto, essa flexibilização não resultou em facilidade na aprovação. Segundo o Detran-PE, a taxa de reprovação permanece estável, muitas vezes causada pela ansiedade.
Além das mudanças na formação, os candidatos devem estar atentos a um novo requisito: a partir do dia 08 de junho de 2026, todos os novos processos para as categorias A e B em Pernambuco exigirão o exame toxicológico negativo, que já era exigido para as categorias C. D e E.
Renato Hayashi explicou que o exame pode ser apresentado em qualquer etapa até a emissão da CNH e deve ser realizado em clínicas credenciadas pela Senatran, com preços de mercado estimados entre R$ 150 e R$ 300. As clínicas podem ser consultadas pelo app CNH do Brasil. Mas, segundo o novo presidente, o valor do exame toxicológico não está regulado pela Senatran, como aconteceu com as taxas para outros exames e procedimentos dos Detrans. Por isso, será o mercado que irá regular o custo que o candidato terá.





