Recife recebe seminário sobre efeitos de mudanças climáticas no trabalho e no cotidiano das populações

Entre os dias 11 e 13 de setembro, o Recife receberá um seminário para discutir os impactos das mudanças climáticas na vida dos trabalhadores. Organizado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, o evento é realizado por meio do Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno e do Raízes – Fundo de Justiça Climática para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e contará com uma atividade intitulada “Mutirão de Trabalhadores, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais rumo à COP30”.

Aberto ao público, o seminário é voltado principalmente para movimentos sociais, representantes do poder público e pesquisadores. O evento integra a programação oficial da COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA). As inscrições podem ser realizadas pela internet.

O seminário reunirá sociedade civil, poder público, povos indígenas, comunidades tradicionais e categorias de trabalhadores para debater caminhos de apoio a soluções climáticas, a partir das experiências nas cidades, dos campos, das águas e das florestas. A liderança indígena Sinéia do Vale estará entre as painelistas.

Nordeste em foco

O evento também promete colocar o Nordeste em pauta.  A região é uma das mais vulneráveis aos efeitos da crise climática, enfrentando períodos cada vez mais intensos de seca, impactos diretos na produção agrícola, no acesso à água e na geração de renda.

“Este seminário é um espaço de escuta e fala para trabalhadores, povos indígenas e comunidades tradicionais do Recife. É a partir de suas demandas e experiências que precisamos influenciar as negociações globais, levando perspectivas locais e comunitárias para a COP30, em Belém”, afirma Ana Valéria Araújo, diretora-executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

A realidade também se repete quando o tema é informalidade. De acordo com o estudo “Mapeamento do Trabalho Informal no Brasil (2022)”, realizado pelo o Fundo Brasil de Direitos Humanos, o Nordeste é a segunda região do país com maior proporção de trabalhadores informais (63,3%), ficando atrás apenas do Norte, onde o índice chega a 65,2% da população em situação de informalidade.

Entre os estados brasileiros com taxa de informalidade superior a 60%, Pernambuco ocupa a 10ª posição, com 61% da população em situação de trabalho informal.

Destaques da programação

Um dos destaques do evento será o painel do dia 11 de setembro, com o tema “Impactos das mudanças climáticas nas possibilidades de vida e trabalho digno”. A mesa, mediada por especialistas ligados a diferentes movimentos sociais, vai aprofundar o debate sobre como as transformações climáticas afetam o cotidiano e as condições de trabalho das comunidades.

Já no dia 12 de setembro, acontece o “Mutirão de Trabalhadores, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais rumo à COP30”, que reunirá representantes do poder público e de organizações da sociedade civil. O espaço será um canal de escuta das demandas de trabalhadores, povos indígenas e comunidades tradicionais, com o objetivo de levá-las às negociações globais e projetar essas perspectivas locais e comunitárias na COP30.

Para encerrar a semana, no dia 13 de setembro, será realizada uma visita ao sítio Ághata, organização apoiada pelo Labora que pauta agendas de justiça climática e defesa dos modos de vida e trabalho tradicionais no território do Complexo de Assentamentos do Prado, na região da Mata de Pernambuco.

A iniciativa promove mutirões de agrofloresta que desenvolvem sistemas de produção sustentáveis, inspirados na dinâmica das florestas naturais.